Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 21/03/2020
Durante a idade média, uma pandemia de peste negra dizimou boa parte da população da Europa, nesse período sombrio, a histeria coletiva possibilitou a culpabilização de estrangeiros, judeus e leprosos, além da concepção de castigo divino persistente na época. Todavia, o principal agravante da enfermidade foi a precária higiene da população. Concomitante a isso, epidemias contemporâneas também enfrentam desafios relacionados à histeria coletiva, como: a hipocondria e sua relação com a superlotação de hospitais, além de empresas prevalecerem-se da situação de crise para obter mais lucros.
Mormente, a hipocondria - crença em possuir e sintomatizar determinada doença, sem possuí-la- está diretamente relacionada a superlotação de hospitais em momentos de crise. Pois, de acordo com o filósofo alemão A. Shopenhauer os limites do campo de visão de uma pessoa determina seu entendimento do mundo que a cerca. Nesse sentido, ao visualizar de maneira incessante certa patologia e seus efeitos negativos, alguns indivíduos ao apresentarem alguns dos sintomas relacionado s a ela crerão que a possui. Com isso, procurarão ajuda superlotando hospitais e recebendo o atendimento que deveria ser destinado a pessoas realmente doentes.
Além disso, empresas relacionadas a saúde e limpeza apropriam-se de momentos de crise para obter mais lucros. Tal proposição está em consonância com o pensamento do filósofo contratualista Maquiavel, que em seu livro “o príncipe”, explicita que qualquer atitude é válida tendo em vista um objetivo. Nesse caso, tal objetivo seria a obtenção de maiores lucros, não possuindo empatia com a circunstância de desequilíbrio que assola a população no momento. Assim, culminará em mais sofrimento, pois nem todos poderão adquirir tais produtos.
Destarte, para tentar conter a superlotação em hospitais, urge que o Ministério da Saúde consiga tranquilizar a população, por meio de campanhas na TV e nas redes sociais, informando-a os sintomas e medidas profiláticas de determinada doença que provoca a epidemia, bem como, quando será necessária a ida ao hospital. Outrossim, torna-se imperativo que o Poder Legislativo proíba o aumento de produtos de saúde e higiene em momentos de crise, ao contrário, incentive o menor custo deles, por meio de uma lei, a fim de que mais pessoas consigam usufruir desses bens indispensáveis para conter qualquer epidemia. Somente sob tais perspectivas, os desafios relacionados à histeria coletiva em epidemias contemporâneas serão apaziguados.