Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 25/03/2020
De acordo com William Shakespeare, a sabedoria e a ignorância se transmitem como doenças; daí a necessidade de se saber escolher as companhias. Contudo, o dramaturgo esqueceu-se de mencionar que a falta de sabedoria e a abundância de ignorância também podem contribuir para o aumento exponencial de incidências de determinada doença. Esse aumento é chamado de epidemia. Além disso, as epidemias também causam histeria coletiva.
Assim como ocorreu durante a epidemia mais famosa que se tem notícia, a Peste Negra, que ocorreu na Idade Média e foi a responsável pela morte de cerca de um terço da população europeia. Entretanto, como a sociedade da época não tinha os meios necessários para diagnosticar a causa da doença, os judeus foram considerados culpados. Assim sendo, milhares foram mortos na ânsia de punir alguém pelos infortúnios causados pela Peste, enquanto a causa real era a falta de higiene e o contato com ratos infectados.
Embora, atualmente exista uma enorme facilidade em adquirir informações, há várias notícias sensacionalistas que, devido a falta de conhecimento do povo, difundem ideias errôneas sobre o modo de combater essas epidemias. Nesse sentido, houve um grande alarde sobre a cura do corona vírus (Covid-19) ser uma tigela de água com alho recém- -fervida. Posteriormente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) desmentiu essa afirmação, mas muitas pessoas ainda acreditam que essa “receita” irá mantê-los protegidos da doença.
Em suma, nota-se que o medo pode levar a sociedade a julgar precipitadamente, causando inúmeros prejuízos aos acusados, como aconteceu com os judeus, e que as notícias falsas podem suplantar as verdadeiras. Por consequência, faz-se necessário que a população tenha o hábito de higienizar-se corretamente e que o governo, através das grandes empresas midiáticas, divulgue informações corretas para que não haja dúvidas sobre como prevenir-se da doença.