Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 25/03/2020
Machado de Assis, em seu livro Memória Póstumas de Brás Cubas, disse que não teve filhos no intuito de não transmitir a nenhuma criatura o legado de nossa miséria. Fora da narrativa, é fato que a realidade apresentada por Machado pode ser relacionada as epidemias contemporâneas: gradativamente tais pestilências corroboram para a disseminação de pensamentos ignorantes e dualistas, influenciando muita das vezes uma histeria coletiva, ou seja, um surto coletivo.
Em primeiro plano, é importante destacar que, em função da globalização a população está cada vez mais exposta a uma gama ilimitada de vírus e bactérias, consequência do avanço das comunicações e transportes. Há exemplos concretos de algumas epidemias globais, como a Peste Negra, a Gripe Espanhola e o Ebola. E mais recentemente podemos citar o COVID-19, o qual se alastrou de forma exponencial, tornando-se uma pandemia. Todas essas epidemias têm características em comum, seja na baixa regulamentação sanitária, no impacto econômico, ou até mesmo na negligência de fatos e ao crescimento de preconceitos enraizados, como o sentimento de Mari Magno, traduzindo-se a um egoísmo social.
Ademais, presencia-se um forte poder de influência da internet no comportamento de uma histeria coletiva - que é um fenômeno sociopsicológico - a qual vai contra a ideologia de união, compactuação e altruísmo. No entanto, ocorreu um episódio no dia 20/03/2020 em que os internautas usaram a internet a favor da humanidade, disseminando um sentimento de gratidão aos profissionais da saúde e alertando para a sociedade que um pânico em massa não resolveria nada, pois em momentos de calamidade é necessário solidariedade, principalmente a classes excluídas, por exemplo a faixa etária mais velha, os idosos. Gerando assim uma terapia para o narcisismo da população, aumentando a empatia social.
Portanto, faz-se necessário que medidas sejam tomadas para amenizar os desafios enfrentados relacionados a histeria coletiva. Dessa forma, cabe aos meios de comunicação, sejam eles: a televisão, a rádio e as redes sociais, implementarem projetos, como comerciais entre programações na emissora, disseminação de anúncios auditivos, além de postagens informativas, como por exemplo no Facebook, que auxiliem na compreensão das atualidades e de quais medidas devem ser tomadas, alcançando todos os meios de comunicação, impactando toda a sociedade, no intuito de evitar um pânico desnecessário. Além de ser função da família manter a união, preservando assim a saúde mental de seus familiares, pois só assim Machado de Assis teria orgulho de transmitir o legado de prosperidade á seus filhos.