Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 22/03/2020
Desde quando o ser humano passou a viver em sociedade, tornou-se mais vulnerável a surtos de várias enfermidades, como a peste negra e a gripe espanhola, e ao medo gerado por elas. No entanto, diferentemente das epidemias passadas, em que a falta de informação era um obstáculo para sua superação, nas atuais é preciso contornar o pânico social causado pelo excesso de informação, e que leva à atitudes prejudiciais à todos.
Em primeiro plano, vê-se que um medo generalizado instala-se na sociedade devido à grande disseminação e exploração de notícias. Por meio das redes sociais, muitas informações, sejam verídicas ou não, atingem inúmeras pessoas. Além disso, diversos canais televisivos, por sensacionalismo, exploram excessivamente reportagens diárias. Desse modo, em tempos de epidemia, a população é cercada diariamente por dados em excesso, ocasionando um estado de histeria.
Consequentemente, este medo conduz os indivíduos a medidas desnecessárias de proteção, causando danos à sociedade. Por exemplo, na recente pandemia do COVID-19, muitas pessoas fizeram estoques de álcool em gel e máscaras em casa e deixaram outras pessoas sem. Dentre elas, os profissionais de saúde e os doentes, que realmente precisam usá-los. Assim, é perceptível o malefício do pânico geral.
Conclui-se, portanto, que demasiada veiculação de notícias causa um medo coletivo durante epidemias, e este é causa de atitudes defensivas que prejudicam os demais. Para contornar esse desafio, é imperioso que a mídia se comprometa a não abordar excessivamente os fatos relacionados ao surto e a desmentir as fake news, a fim de conter o gatilho do pânico. Isto pode ser feito através de um canal de denúncias que permita a internautas enviar áudios, fotos e outros que contenham informações duvidosas para serem confirmadas ou desmentidas pela mídia e pelas autoridades.