Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 23/03/2020

" Recordando a labuta do dia, o que dominava agora era uma infinita preguiça da vida, da luta com o sol, com a fome, com a natureza." Nesse trecho do Romance Regionalista “O Quinze” de Rachel de Queiroz, o personagem Vicente encara os obstáculos que a vida nordestina em 1915 oferecia. Dentro dessa perspectiva, no mundo pós-moderno, as epidemias que surgem na humanidade  se tornam um desafio não só pelas difíceis medidas para erradicá-las, mas também pela maneira deturpada que as mídias apresentam esse cenário ao público.

Antes de tudo, as doenças que surgiram ao decorrer dos séculos tiveram como principal aliada a complexidade de se desenvolver fármacos e vacinas para o combate. Desse modo, o comportamento desconhecido no desenvolvimento de vírus e bactérias dentro da célula, a rapidez na transmissão, bem como as mutações no genoma desses seres, fator que ocasiona a resistência e evolução, dificultam a descoberta rápida de antígenos especializados. É indubitável que a pouca a higiene também contribui para o contágio, visto que algumas medidas, como lavar as mãos, por exemplo, são esquecidas. Outrossim, o contato com ambientes insalubres facilitam a proliferação, fato que propiciou o surgimento da Peste Negra na Idade Média.

Além disso, a maneira com que os veículos de informação divulgam e lidam com o avanço de epidemias a nível global, podem incitar a má interpretação dos tecidos e ter como consequência a histeria coletiva. Nesse viés, algumas medidas para o bem-estar social são comprometidas, como a disponibilidade de itens de prevenção nas farmácias e fábricas, a citar as máscaras. Ademais, a queda de setores como o da economia aumentam os preços de vários produto, princialmente os alimentos, o que eleva a gravidade da situação e implica em novas crises nos países.

Dessarte, urge que os países e Governos locais insiram no combate à epidemias e pandemias a liberação de verbas para o desenvolvimento de estudos aprofundado e o uso da informação como ferramenta de melhorias. Isso deve ser feito por intermédio de parcerias com laboratórios de pesquisa para a formulação de medicamentos e a divulgação de vídeos e materiais nas redes sociais que informem as maneiras de prevenção, salientando o que se deve fazer caso apareçam sintomas e os cuidados para não infectar o próximo, com o intuito de acelerar as medidas de prevenção, diminuir o contágio e tranquilizar o corpo social. Somente assim, contrariando o personagem Vicente, podemos tirar dos problemas do dia a luta contra a natureza.