Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 24/03/2020

A obra “Capitães da areia”, de Jorge Amado, relata sobre um surto de varíola que acometeu toda a sociedade da época por conta do desconhecimento sobre a doença e pela ausência de meios preventivos. Fato semelhante ao retratado na obra, mesmo que décadas tenham se passado desde sua publicação, ainda é recorrente no Brasil, já que o surgimento de novas epidemias, como o corona vírus, provocou histeria coletiva por conta da falta de informações sobre ele. Portanto, é notório o desafio para que a realidade de pânico contemporâneo possa se reverter.

A princípio, é válido analisar o descomprometimento dos cidadãos quanto à saúde pela ótica de Dráuzio Varella, o qual aponta como principal causadora de doenças a falta de investimento em prevenção. Dessa forma, fica evidente que algumas epidemias contemporâneas poderiam ser evitadas com maior precaução com higiene, visto que o Covid-19 possui como principal inimigo práticas higienistas.

Além disso, cabe ressaltar que o desconhecimento sobre agentes causadores de doenças possibilita maior histeria por parte da população, já que esta se sente perdida em meio a fake news que a assusta. Um exemplo disso pode ser retratado no livro “Ensaio sobre a cegueira”, de José Saramago, em que uma cegueira branca sem causa conhecida deixa as pessoas em meio ao caos.

Torna-se evidente, portanto, que a falta de informações atrelada ao descompromisso com práticas prevencionistas provoca maior incidência de pandemias. A fim de atenuar o problema, cabe ao Ministério da Saúde maior investimento em campanhas que reforcem os métodos preventivos, por meio de palestras destinadas a toda população em locais públicos como forma de orientar a todos para que novas pandemias sejam evitadas.