Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 25/03/2020

“As condutas, assim como as doenças, são contagiosas”. Assim diz o filósofo inglês Francis Bacon, em uma frase que reflete perfeitamente o momento vivido pelo mundo no início do ano de 2020. Tal cenário traz à tona os desafios relacionados à histeria coletiva durante epidemias contemporâneas. Diante disso, duas adversidades merecem destaque: a desinformação e o efeito manada.

Primeiramente, é de suma importância notar como a insciência de dados sobre os fatos reais causa ansiedade. Isto é, quando um indivíduo não compreende satisfatoriamente sua realidade ou se baseia em dados falsos, ele tende, naturalmente, a temer o pior caso. Do mesmo modo, quando um cidadão é bombardeado por conteúdos incompletos ou mentirosos em redes sociais sobre origem, transmissão, sintomas, tratamento e letalidade da Covid-19 e não os confere, toma medidas desnecessárias ou ineficazes. Portanto, é claramente observável que a ignorância de conceitos lúcidos e precisos constitui um problema durante períodos de alta disseminação de doenças.

Somado a isso, tendo em vista que o nervosismo ocorre numerosamente, convém atentar para a replicação instintiva de um comportamento pelos membros de um grupo, fenômeno conhecido no campo da psicologia pelo nome de efeito manada. Em outras palavras, é quando uma pessoa vê outra tomando determinada atitude e faz o mesmo para “se garantir”. No entanto, isso pode levar ao exaurimento em massa de recursos que deveriam ser distribuídos para toda população, como aconteceu nos Estados Unidos, com papel higiênico, durante a pandemia do Corona vírus. Logo, é possível enxergar a estrutura motora de uma histeria coletiva: a desinformação gera o medo, que, por si, leva à tomada de medidas desesperadas, as quais multiplicadas por um efeito manada podem criar uma calamidade pública mais grave.

Destarte, o governo deve vincular dados confiáveis em redes sociais, por meio de parcerias entre estas e seus órgãos competentes, para garantir que os cidadãos tenham plena lucidez de todos os aspectos da enfermidade epidêmica, porque isso quebraria a cadeia de pânico por sua raiz. Ademais, a justiça precisa punir com maior veemência a disseminação de dados falsos durante uma crise pública de saúde, para evitar que o comportamento histérico se multiplique.