Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 24/03/2020

No livro “1984” de George Orwell, o protagonista Winston Smith vive em um Estado totalitário, que controla os noticiários e informações de interesses apenas governamental, liderado pelo Grande Irmão. Fora da ficção, no atual cenário brasileiro, tal óptica pode ser percebida no que tange o surgimento de novas epidemias, como covid-19, na qual, a atenção da sociedade é voltada somente para as novas doenças. Desse modo, torna-se premente analisar as principais causas que contribuem para os problemas que a histeria coletiva trás para sociedade atual.

Em primeiro plano, embora o coronavírus esteja infectando mais de 1981 pessoas, há epidemias paralelas que também vêm ganhando forças e matando inúmeros cidadãos brasileiros, que não são transmitidas pela mídia. Uma pesquisa realizada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), comprovou aumento de 600% em 2020, no número de casos com dengue, resultando 591 mortes, além do reaparecimento de sarampo, uma doença já erradicada, que teve sua primeira vítima, uma criança no Rio de Janeiro. Nota-se, portanto, a persistência de doenças, que, uma vez foram novas e tiveram a sua repercussão na mídia, mas que foram esquecidas, fortalecendo assim a industria cultural.

Por conseguinte, por se tratar somente de uma doença nos meios de comunicação, torna-se mais propício, o individuo que na verdade esta com uma simples gripe, sofrer um fenômeno psicológico chamado de histeria, e confundir com as novas patologias, devido a alta repercussão que tal doença tem em sua volta. Uma reportagem especial feita pelo Fantástico, em 2010, analisou um colégio de Itatira (CE) , cujo estudantes ao decorrer do ano, apresentaram comportamentos agressivos e surtos inexplicáveis. Para Émile Durkheim tal comportamento é caracterizado como fato social, que evidenciam o modo de agir, pensar e sentir da sociedade, gerando uma consciência coletiva.     Desprende-se, portanto, da capacidade de mitigar os impactos causados pela histelia coletiva. Para tanto, cabe a secretaria de cultura, juntamente com a OMS, comunicar de forma igualitária e sem sensacionalismo, nas redes sociais, todas as doenças que matam por dia, sejam elas contemporâneas ou mais remotas. Para que somente assim, haja o equilíbrio entre histeria coletiva e a verdadeira infecção, e a realidade não seja semelhante igual a vivida por Winston.