Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 25/03/2020

No livro “1984” de George Orwell, o protagonista Winston Smith, vive um Estado totalitário, que controla os noticiários e informações de interesses apenas governamental, liderado pelo grande irmão. Fora da ficção, no atual cenário brasileiro, tal óptica pode ser percebida no que tange o surgimento de novas epidemias, como covid-19 que teve origem na China e espalhou para o redor do mundo, causando desespero e medo para boa parte da população. Desse modo, torna-se premente analisar os fatores que contribuíram para o aumento do número de casos com coronavírus e os problemas que o mesmo causou na sociedade hodierna.

Em primeiro plano, é lícito afirmar, da precariedade do Sistema Único de Saúde (SUS), que carece de leitos necessários para o tratamento da doença. Uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, revelou que o Brasil, precisa aumentar cerca de 20% o total de leitos para abrigar adultos que são diagnosticados com a nova patologia, de tal forma que, resultou da necessidade do Estado intervir medidas de isolamentos sociais para diminuir o contagio da doença, por não haver vagas suficientes em hospitais públicos. Assim como acontecido em 2009, com o aparecimento da epidemia do vírus da gripe suína (H1N1).

Por conseguinte, o medo da população frente aos desafios da nova doença reflete negativamente no número exagerado de cidadãos brasileiros que acreditam nas informações que são divulgadas nas redes sociais. Um dado lançado pelo Jornal Nacional (23/03/2020), constou que aproximadamente cerca de 12% de usuários do whatsapp acreditam nas mensagens disseminadas sobre o coronavírus e que 24% confiam em parte, o que resulta em grande massa populacional desenformada sobre o verdadeiro mal que o vírus causa, considerado desnecessário tamanho pânico. Da mesma forma que ocorreu com a revolução antivacina em 2016, cuja população acreditou nas informações sem embasamento de que a suposta vacina era a causadora do autismo.

Desprende-se, portanto, da necessidade de mitigar os impactos causados pela histeria coletiva em confronto com o COVID-19. Para tanto, cabe a imprensa midiática, promover propagandas com cunho informativo, a partir de verbas governamentais para desmitificar e acalmar a sociedade a respeito do novo vírus. Além de, ser primordial a participação do Ministério da saúde na ampliação dos leitos hospitalares. Dessa forma garantir-se-á o combate ao precário atendimento na saúde publica e medo da população, como também fará da realidade uma sociedade democrática, diferentemente da presenciada por Winston.