Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 25/03/2020
A violência urbana, as epidemias e as catástrofes evidenciam a vulnerabilidade da sociedade às condições consideradas traumáticas. Entre outros flagelos, junto a recente pandemia de coronavírus, explicitou-se o crescimento de um fenômeno simultâneo: a histeria coletiva. Exacerbada pela falta de criticidade, e pelos discursos catastrofizantes a crise parece ainda maior, ampliando o sentimento de desamparo. Destarte, a histeria coletiva é uma situação séria e precisamos tratá-la.
Historicamente, a histeria tem causado intenso sofrimento. Audous Huxley, na obra “As Ursulinas de Loudun” - França, 1634 - retrata a consternação de dezenas de freiras tomadas pelo terror de seres demoníacos desconhecidos, “criados” pelas pregações do padre Urbano Grandier. No tempo atual, o constante bombardeio midiático, a disseminação de fake-news e a aceitação acrítica desse discurso, têm desencadeado uma sensação de estranhamento e assombro que parece impossível suportar - tal qual as freiras de Loudun.
Outrossim, o psicanalista Melman C., no livro “O homem sem gravidade”, 2008, contribue para um plausível entendimento da histeria. Ela seria o efeito de uma mutação cultural inédita, caracterizada pela crise das referências, pelo desaparecimento do sagrado, pelos excessos e pela ausência de criticidade. Assim, em vez de atuar na história, os indivíduos concentrados em seus “quadrados”, tornam-se vítimas de discursos apocalípticos e lugar privilegiado das novas “possessões”.
À visto disso, urge romper essa realidade, oferecendo uma educação crítica à população. Isso contempla a alocação de verba da LOA (Lei Orçamentária Anual) junto ao Ministério da Educação para elaborar novos currículos, ao amparo da atual LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) orientados aos quatro níveis de ensino, com a temática “Cultura e Subjetividade” estimulando o pensar crítico e a atitude de múltiplos sujeitos: individuais, coletivos e institucionais, resgatando a racionalidade e ampliando as responsabilidades humanas com as futuras gerações.