Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 28/03/2020

Entre as principais gravuras do artista Henricus Hondius, está a obra a qual retrata um grupo de mulheres em estado de distúrbio psiquiátrico em massa após serem acometidas por uma epidemia, em 1518, na França. Similarmente, para além do âmbito artístico, as epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva persiste no Brasil. Por conseguinte, a continuidade da problemática reverbera em prejuízos ao coletivo e, decerto, demanda intervenções. Nesse viés, cabe analisar a influência midiática, bem como os impactos na saúde mental da população.

Em primeiro plano, é imperioso perceber a contribuição das mídias sociais para os casos de desequilíbrio intelectual. Diante disso, segundo o médico israelense Albert Hefez, durante a epidemia de desmaios na Cisjordânia, a imprensa aliada à comunidade médica se beneficiavam da histeria coletiva, no intuito de aumentar o lucro com marketing midiático sobre tais casos. Isso posto, pode-se relacionar à conjuntura, as reportagens veiculadas acerca do novo Coronavírus, em março de 2020, as quais utilizam de linguagens indutoras do medo e conteúdos falsos, a exemplo do jornal americano “Telegraf” que lançou mão da metáfora do vírus assassino para se referir ao Covid-19. Logo, elucida-se a necessidade em reavaliar o interesse da imprensa em priorizar o ganho monetário em detrimento da sanidade mental da população.

Outrossim, nota-se os impactos na saúde intelectual da sociedade. Nesse ínterim, conforme o relatório elaborado pela revista “The lancet”, em 2019, 31% das pessoas sofrem de estresse pós-traumático ao lidar com as pestilências atuais. Com efeito, a alteração da rotina em decorrência das epidemias, como o isolamento social relacionado às doenças contagiosas, elevam os níveis de cortisol- o hormônio do estresse- e contribui para os casos de histeria coletiva. Somado à isso, é relevante citar a inabilidade política em ampliar medidas sócio-educativas as quais exercitem o equilíbrio emocional e mental da população defrontar com os casos de epidemias contemporâneas.

Dessarte, reafirmam-se os prejuízos sociais ocasionados pelas epidemias hodiernas e seus desafios acerca da histeria coletiva. Portanto, cabe ao Governo Federal elaborar ações restritivas à propagação das fake news, mediante elaboração de propagandas televisivas, nas quais divulguem as características das notícias falsas- como a linguagem alarmista-, com o objetivo de advertir o público contra a primazia da cobertura midiática. Além disso, as Secretarias Municipais devem realizar encontros pedagógicos nas cidades sobre saúde mental, por meio de semanas de extensão, em que psicólogos discorram quanto as consequências negativas da histeria coletiva, a fim de antepor a saúde mental da população. Assim, tal problemática tornar-se-á restrita ao âmbito artístico.