Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 31/03/2020
É possível, por intermédio da linguagem simples e coloquial do poema “No meio do caminho”, de Carlos Drummond de Andrade, fazer uma analogia a respeito das epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva. Acerca de tal análise, pode-se ligar a pedra, presente na obra drummondiana, à crescente repercussão e manifestação da problemática no cotidiano dos brasileiros. Ainda, constata-se que o revés está atrelado não somente à proliferação de notícias falsas, mas também, ao descaso governamental.
De início, irrompida em meados do século XX, a Terceira Revolução Industrial trouxe consigo inúmeros avanços à humanidade. Em conjunto com as inovações tecnológicas, as transformações das relações sociais se configuraram como elementos característicos dos novos tempos, os tempos líquidos, termo proposto por Zygmunt Bauman, que designa o atual estágio da sociedade contemporânea. Tais aspectos, têm possibilitado uma revolução na quantidade e na rapidez com que a informação é propagada, contudo, essa realidade proporcionou a solidificação das fakenews, fenômeno esse responsável pela difusão da histeria coletiva em tempos de crise. A exemplo, na atualidade, durante a pandemia do COVID-19 muitas pessoas cultivam medo em virtude das notícias falsas. Posto isso, medidas devem ser adotadas para reverter esse mal.
Outrossim, o desleixo governamental contribui para a acentuação da problemática. No livro “Ética a Nicômaco”, Aristóteles, defende que a política serve para garantir o bem-estar dos cidadãos. Porém, o descaso das autoridades públicas em relação ao cumprimento das medidas preventivas estabelecidas pela OMS (Organização Mundial da Saúde) durante a pandemia do COVID-19, fomenta a atual inadimplência do Estado em solucionar essa mazela social. Porquanto, o pronunciamento do Presidente Jair Bolsonaro, o qual manifestou zombarias acerca da situação, exemplifica o desdém político-administrativo. Dessa forma, verifica-se a necessidade de uma reformulação nos valores e nas ações político-sociais, a fim de que o axioma aristotélico retorne ao cerne dos princípios governamentais e os acontecimentos supracitados possam ser mitigados à população.
Logo, para que o triunfo sobre as epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva seja consumado, urge que o Ministério da Saúde, por meio de pronunciamentos oficiais em horário nobre, promova esclarecimento e retire dúvidas da população acerca do assunto, de modo a minimizar o pânico nas massas. Ademais, essa ação deverá ser posta em prática mediante a criação de sites de ouvidoria, com o fito de ouvir e dialogar com grande parte das camadas sociais. Dessarte, a pedra poderá ser removida do caminho social.