Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 29/03/2020
Epidemias sempre permearam a população, por exemplo, tem-se a famosa peste bubônica que ocorreu durante a Idade Média e foi um fator essencial para o fim do sistema vigente europeu: o feudalismo. Nesse contexto, com a globalização contemporânea, vinculada ao avanço dos meios de comunicações, e do transporte, que permite um maior e rápido fluxo de indivíduos por todo o mundo, tal fator facilita também o contágio quando se há uma epidemia, como foi com o coronavírus na atualidade. Isso tudo reflete na reação de medo pela população e também na postura que será tomada pelo Estado perante a epidemia no qual deve controlar a situação a fim de evitar pânico.
Em primeiro lugar, no livro chamado “A peste”, do escritor Albert Camus, é narrado a progressão de uma doença com índice alto de letalidade e a reação, de forma geral, desesperançosa dos cidadãos, que em diversos momentos são caracterizados à beira da insanidade. Nesse sentido, um dos grandes problemas de qualquer epidemia deve-se ao medo populacional por causa da incerteza do futuro, no qual contém uma intensa transformação no contexto social que alimentam sentidos de paranoia, desespero e solidão. Sendo assim, biologicamente, o medo de morrer torna-se compreensivo uma vez que o corpo animal é projetado para sobreviver a qualquer custo, tendo até um mecanismo hormonal que aumenta força, agilidade e raciocínio lógico quando o animal encontra-se em perigo. Todavia, em caso de doença, essa estratégia não garante a resolução do problema e retorna como ansiedade.
Em segundo lugar, o filósofo Thomas Hobbes preconizava a necessidade do “Leviatã”, símbolo representado pelo monarca absolutista, para a ordem social, ou seja, a renuncia da liberdade individual em prol da coletiva. Portanto, esse conceito é análogo a qualquer forma de Estado, por isso, numa situação epidêmica, o governo estatal tem o dever de prover ordem e planejar o combate à doença a fim de que haja o controle da situação e não a histeria coletiva. No entanto, quando não há esses fatores, a probabilidade de um caos social é muito alta, tendo, por exemplo, o princípio de guerras civis, como foi na Iugoslávia, que devido a morte de um líder forte fragmentou-se e tornou-se um ambiente instável. Além disso, é necessário a manutenção da saúde pública com profissionais qualificados, suprimentos hospitalares completos e boa infraestrutura, sendo que, no Brasil, esse não é o caso.
Diante disso, fica notável a importância do controle governamental durante qualquer epidemia. Cabe ao Poder Executivo atuar com planos mitigadores do contágio, por meio do uso de medidas profiláticas, associadas ao embasamento científico, e, simultaneamente, com investimentos massivos no setor da saúde pública. Isso tudo para que a saúde do indivíduo seja identificada como a principal, tendo assim o controle da situação epidêmica o que amenizará às preocupações dos cidadãos.