Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 29/03/2020

A Idade Média foi nomeada como “Idade das Trevas” por europeus durante o Renascimento com o objetivo de desvencilhar a imagem do século V, em detrimento da cultura greco-romana. Apesar de ser uma nomenclatura errônea, um dos fatos que pode-se associar a esse contexto foi durante a Baixa Idade Média, onde foi atingida por amplas revoltas e epidemias, a exemplo da Peste Negra, que dizimou grande parte da população europeia. Atualmente, a sociedade hodierna, apesar dos avanços científicos dentro do campo da medicina, não está isenta de tais acontecimentos, gerando consequências de altas proporções pela falta de prevenção e negligência governamental.

De acordo com a revista americana Time, a atual pandemia do Corona Vírus impactou em uma perda de 3,5 trilhões de dólares no mercado acionista dos Estados Unidos, sendo a pior crise desde 2008. Em tal ótica, a crise gerada por uma doença desconhecida atinge diversas esferas do Estado, inclusive o mercado financeiro, ocasionando um decréscimo súbito, podendo quebrar a economia, acarretando desemprego, fome e, consequentemente, mortes. Assim, a “histeria coletiva” seria uma grande aliada à situação, em que a doença se torna o menor dos problemas.

No entanto, essa narrativa marginaliza e “coisifica” o trabalhador, assim como na Revolução Industrial do século XVII, colocando-o a mercê do lucro. Segundo Karl Marx, a ascensão do capitalismo tornou o proletariado (aquele que vende sua força bruta) em um objeto, no qual o dono do capital se importa apenas com o lucro, desumanizando quem oferece a mão de obra em troca de subsistência. Diante disso, permanece o questionamento: até que ponto o dinheiro vale mais que a vida. Em meio a uma pandemia, o “esforço” de empresários para manter uma economia estável em uma situação caótica é em vão, como já foi constatado em diversas situações semelhantes ao decorrer da história, além de estudos científicos. Em relação à COVID-19 em específico, sem a quarentena e com sua disseminação rápida, os leitos de hospitais se enchem e os médicos escolhem quem vive ou morre, como na Itália.

Portanto, é evidente a necessidade da intervenção governamental como principal escolha de equilíbrio da economia e zelo pela saúde da sociedade. Primeiramente, é essencial o Governo Federal liberar uma linha de crédito para pequenas e médias empresas, para que possa ser capaz manter o pagamento de assalariados, além de prover uma quantia para autônomos, um dos que mais sofrem com a crise econômica. Ademais, a Organização Mundial da Saúde, em conjunto com o Ministério da Saúde local, deve realizar campanhas para conscientizar a população sobre epidemias, endemias e pandemias, usando a vigilância policial e pagamento de multas, caso ocorra infração das medidas tomadas. Desse modo, o mercado financeiro se recuperará pós-crise em razão da vida.