Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 29/03/2020

A Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988, prevê direitos e garantias fundamentais dos cidadãos e da ordem social que devem ser cumpridos e respeitados, destacando-se, dentre vários outros, a comunicação social efetiva. Não obstante, o que se observa no cenário brasileiro contemporâneo é uma realidade um tanto quanto distante dos preceitos constitucionais: é evidente a histeria coletiva - causada pela desinformação - quando do surgimento de epidemias novas. Nesse cenário, surge um problema bem delineado e preocupante, que se mostra fruto da propagação de notícias e informações equivocadas pela mídia como um todo, bem como da crença da população nessas informações.

Em primeira análise, é mister atentar para a questão da desinformação propagada pela mídia. Nesse sentido, há violação das normas constitucionais pela televisão, pelo rádio, pelo jornal e principalmente por sites e blogs individuais na internet, pois, muitas vezes, divulgam informações desconectadas da realidade, principalmente quando surgem surtos epidêmicos novos. Dessa forma, essas notícias podem influenciar toda a população, tendo condão de provocar verdadeira histeria social desnecessária, fomentando ações equivocadas por parte das pessoas tais como: automedicação, estoque de comida, água e mantimentos. Por conseguinte, surgem problemas secundários que poderiam ser evitados, como o desabastecimento dos mercados e problemas psicológicos como ansiedade e depressão na população.

Ademais, a histeria relativa às epidemias se recrudesce devido ao grau de confiabilidade da população nesses veículos de informação. Nesse contexto, as pessoas levam a cabo as notícias e informações veiculadas pela mídia sem um filtro necessário e salutar. Segundo Confúcio, “não corrigir nossas falhas é o mesmo que cometer novos erros” é exemplo que se faz presente. Nesse ínterim, com o surgimento de novas epidemias - como a causada pelo coronavírus mais recentemente - faz-se necessário cautela e procura de informações verdadeiras e embasadas cientificamente.

Depreende-se, portanto, a necessidade de medidas estratégicas e funcionais para mudar essa realidade. Para tanto, o Governo Federal, por meio de órgãos ligados às telecomunicações, em cooperação com Estados e Municípios, bem como todos os centros educacionais do país, como escolas e faculdades, cooperativas, igrejas e a mídia em geral devem divulgar informações verdadeiras e cientificamente comprovadas, por meio de propagandas em diversos horários, bem como confeccionar materiais informativos a serem disponibilizados nos mais diversos locais, de modo a combater a desinformação, e, numa perspectiva futura, estirpar a histeria social frente às epidemias.