Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 29/03/2020

No livro “Capitães da Areia”, é abordado o panorama de Pedro Bala, o qual é líder de um grupo que vive às margens da sociedade e tenta sobreviver frente a um surto de varíola que atinge Salvador. Fora da ficção, o Brasil culmina para tal cenário alarmante, uma vez que há desafios devido à histeria proveniente das epidemias emergentes, não só pela estocagem de produtos em excesso, mas também negligencia-se as teses científicas. Convém, portanto, analisar de forma crítica essa problemática.

Em primeiro âmbito, a chamada “Peste Negra” foi a pandemia mais devastadora da história, posto que dizimou um terço da população europeia, em virtude da ausência de saneamento básico e não higienização. Nesse contexto, observa-se que em razão do pânico social, os indivíduos têm comprado mercadorias em exagero com o objetivo de protegerem-se da epidemia. Entretanto, é preciso compreender que ao agir dessa forma limita-se o acesso de produtos aos outros cidadãos de baixa renda , tal qual ocorreu na Europa do século XIV, em que apenas aqueles que possuíam infraestrutura adequada não contraíram Peste Negra. Visto isso, de acordo com a Lei da Oferta e da Procura, aumenta-se o preço de um produto quando esse está em falta, logo há maior dispersão da doença.

Paralelo a isso, embora seja dever da Constituição Cidadã de 1988 garantir uma educação de qualidade a todos perante à lei, na prática tal isonomia não é concretizada. Sob essa ótica, dentre os fatores que acentuam esta histeria, está o fato de indivíduos com um ensino defasado não acreditarem nos métodos da ciência e, por conseguinte, não seguem as recomendações médicas, contribuindo para a disseminação das enfermidades. Segundo a perspectiva do sociólogo alemão Simmel, o ser humano adota a “Atitude Blasé”, isto é, banaliza informações importantes sem preocupar-se com o próximo, o que ilustra a ação do homem contemporâneo.

Enfim, com o intuito de que personagens do livro “Capitães da Areia” deixem de representar a realidade, medidas são necessárias. A priori, urge que as escolas, em sincronia com a mídia - principal veículo formador de opinião- promovam debates, embasados em livros, a respeito do conceito de empatia, como também da relevância da ciência no combate às doenças. A posteriori, isso só irá consolidar-se por meio de verbas advindas do governo e destinadas a compra desses livros, a fim de que se forme cidadãos com o senso crítico aguçado e que exterminam a Atitude Blasé.