Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 01/04/2020

  1. Guerra. Mortes. Não bastasse o clima bélico, que ao mundo assolava, surgia também uma doença que era um enigma à medicina, a gripe espanhola. Como combate à mazela, que causou a morte de milhões de pessoas, nascia a caipirinha, no Brasil, usada como -ilusório- remédio popular. Percebe-se que em meio a situações alarmantes, é comum que pessoas tomem atitudes inusitadas, divertidas ou preocupantes. Nesse contexto, cabe analisar ações humanas prejudiciais que dificultam o combate à epidemias.

Mormente, cabe falar dos inacreditáveis ataques aos centros de tratamento. Em 2019, segundo o site do Médico Sem Fronteiras, hospitais de campanha, durante a epidemia do Ebola, foram queimados, invadidos por homens armados e saqueados. A motivação seria da circulação de boatos em grupos de “Whatsapp” de que tanto o tratamento quanto a aplicação de vacinas era uma forma de matar a população do Congo. Isso teve credibilidade pois mesmo com o processo terapêutico muitas pessoas morriam e pouco se via eficácia das medidas de saúde. Diante disso, a violência e falsas informações se aliaram ao letal vírus, duplicando os inimigos dos profissionais o que contribuiu para disseminação do Ebola com a fuga de pacientes doentes, interrupção da intervenção médica,  além do cerceamento da aplicação de vacinas e com isso, a morte de mais pessoas.

Ademais, é válido falar das descrenças das medidas de profilaxia. Em meio a pandemia do Coronavírus, em 2020, um casal infectado saiu para andar de bicicleta contrariando as recomendações de quarentena da OMS. Casos como esse exemplificam a pouca importância dada por uma parcela de pessoas, que banalizam vírus perigosos tratando como “gripezinha”, crendo que numa individual imunidade e, assim, não se enxergam como possíveis vetores da doença. Nesse prisma, tais comportamentos se põe como desfalques nas providências profiláticas. Como consequência, fala-se de aglomerações desnecessárias nas ruas e da abertura de comércios não essenciais que contribuem ativamente no aumento de casos confirmados de coronavírus pelo mundo.

Infere-se, portanto, a necessidade de criar estratégias para conter o avanço dessas atitudes e seus malefícios. É imperiosa a ação da OMS em reforçar em países, como o Congo, por meio de textos e com linguagem acessível a veracidade da terapia do Ebola, a fim de acalmar ânimos e mitigar boatos. Além disso, no Brasil, seria interessante que os Ministros de Saúde e Justiça sancionassem multa a todos, infectados ou não, que estivessem nas ruas por motivos de lazer e outros senão em atividades consideradas essenciais e direcionassem esse capital ao SUS, como forma de conscientização da quarentena. Criando-se, assim, maneiras de evitar a intensificação de epidemias tão perigosas.