Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 07/04/2020
Na Idade Média, a convocação das comunidades às igrejas para protegerem-se da Peste Negra foi um dos principais potencializadores da propagação da doença, esse flagelo mudou toda a cultura europeia, no século XIV. Decerto, as epidemias contemporâneas interferem na vida de milhões de seres humanos por alterar o fluxo da dinâmica socioeconômica. Além disso, a depender da gravidade do problema, a sociedade enfrenta o flagelo com prudência ou é vencida pela histeria coletiva.
Primeiramente, na obra “A Peste” do escritor Albert Camus, embora a prefeitura de Orão - cidade argelina em que o enredo é dramatizado - comunicasse e pedisse à população isolamento social em virtude de uma possível epidemia de peste, as pessoas negligenciavam todos os avisos, o que resultou na rápida propagação do bacilo. Para além da ficção, atualmente, muitas epidemias não são combatidas com eficiência mesmo na era em que o acesso à informação pode ser efetuado com facilidade. A título de exemplo, em 2020, com a pandemia do novo coronavírus (Covid-19) o prefeito da cidade turística de Milão, na Itália, posicionou-se a favor das atividades rotineiras em prol da segurança econômica, a minimizar os perigos patológicos cuja sociedade tornou-se submetida. A consequência? O colapso do sistema de saúde e altíssimas taxas de mortalidade da população.
Outrossim, em sentido etimológico estrito, a palavra histeria de origem grega significa útero, analogicamente, o nascimento dessa histeria coletiva é gerado pelo discurso inflamado e desconectado da ciência de agentes públicos. Dessa forma, a população por afinidade ideológica, tornara-se cada vez mais vulnerável à doença e destoada-se das concepções eficazes contra o flagelo. Por exemplo, chefes de estados, como Donald Trump e Jair Bolsonaro, que mantiveram posicionamentos contrários aos dados e orientações técnicas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da comunidade científica internacional em relação a gravidade da pandemia do Covid-19. O subjetivismo dos sujeitos é condicionado aos excessos de informações do mundo globalizado e seus fluxos, frente a um hiato de ideais políticos e os planos de contenções da patologia pelas autoridades competentes em meio as traduções estatísticas de óbitos.
Em suma, para tratar das epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva, o poder político fundamental precisa assegurar a população em vulnerabilidade socioeconômica, por meio de benefício sociais, para que tenham segurança alimentar em períodos de epidemia. Além disso, o Ministério da Saúde necessita aproximar a população de informações direcionadas, fazendo campanhas nos Postos de Saúde da Família (PSF), a fim de manter toda comunidade bem informada e evitar problemas como a histeria coletiva.