Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 09/04/2020
Desde que a COVID-19 atravessou as fronteiras da China, seu lugar de origem, e se espalhou por todos os continentes, a tensão e o medo têm sido unânimes ao redor do globo. Nesse sentido, além dos prejuízos com a doença em si, outro mal - esse, invisível aos microscópios mais sofisticados e indetectável nos exames de laboratório - tem causado grande preocupação: a histeria coletiva abre espaço para uma situação iminente de caos.
Primeiramente, é necessário entender como o sentimento de histeria coletiva se instala. Nesse contexto, ainda em 1975, no estado de Pernambuco, um boato fez com que várias pessoas fugissem de suas cidades: a barragem de Tapacurá havia supostamente estourado, e em pouco tempo tudo estaria inundado. Como se soube ainda no mesmo dia, a história não passou de uma “brincadeira”, mas que causou um grande impacto na população, induzindo medidas extremas. Trazendo para os dias atuais, o avanço da tecnologia possibilitou reviver novas “Tapacurás” com as chamadas “fake news”. Vários sites, cientes de que manchetes sensacionalistas têm mais chances de serem compartilhadas, por comunicarem de maneira chocante, se aproveitam e acabam por instaurar o pânico - como no caso do coronavírus -, chegando até a veicular informações falsas.
Dessa forma, uma vez plantado o terror, as consequências são pesadas. Para ilustrar essa realidade, o polêmico recém-estreado filme espanhol “O Poço” aborda cruamente algumas dessas questões: numa espécie de prisão vertical em que uma mesa, farta de um gigante banquete, desce pelo prédio, apenas os andares mais superiores conseguem se alimentar. Isso porque os que estão mais acima comem o máximo que podem, não se preocupando se chegará o suficiente para os que estão mais abaixo. Fora da ficção, isso tem se traduzido em pessoas correndo para os supermercados e esvaziando prateleiras para estocar alimentos e artigos de higiene em casa, sem a devida empatia com as inúmeras famílias que também necessitam de se alimentar e se limpar. Outro comportamento potencializado pela histeria coletiva é visto no mercado de ações: preocupados com um possível colapso da economia, os acionistas se apressam para vender seus títulos o mais rápido possível, o que leva a uma desvalorização generalizada que, por fim, termina no colapso que tanto temiam.
Portanto, é fundamental que a mídia atinja seu objetivo máximo - o de informar -, por meio de matérias e reportagens claras e precisas com especialistas da saúde, a fim de atingir a maior parte da população. Além disso, é mandatório que os ministérios, em especial o da saúde, interfira na situação, criando um órgão de combate às “fake news” que desminta as notícias falsas mais disseminadas, a fim de orientar os brasileiros e diminuir o medo irracional.