Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 07/04/2020
A Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, defende a saúde como um direito inalienável de toda e qualquer pessoa. No entanto, no cenário brasileiro atual, observa-se justamente o contrário, quanto à questão da saúde pública para todos. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude de informações divulgadas pela mídia e da falta de investimento estatal.
Sob esse viés, pode-se apontar como um empecilho à consolidação de uma solução, as informações inverídicas e sem base científica difundidas pela mídia. Conforme Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nessa perspectiva, pode-se observar que a mídia, em vez de promover debates que elevem o nível de informação da população, influencia na consolidação de uma histeria coletiva.
Ademais, é evidente que o Poder Público falha ao cumprir o seu papel enquanto agente fornecedor de direitos mínimos, o que contribui para a falta de medicamentos em hospitais e até mesmo para a falta de leitos para o tratamento da população, como pôde-se observar durante a pandemia do Covid-19. No entanto, de acordo com a Constituição, é direito do cidadão ter saúde pública de qualidade. Tal fato demonstra-se como uma grande incoerência visto que é uma lei, mas não é posta em prática com o investimento necessário.
Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Para que isso ocorra, o MEC juntamento com o Ministério da Cultura devem desenvolver palestras em escolas por meio de entrevistas com vítimas de doenças epidemológicas, bem como especialistas no assuntos, como médicos, com o objetivo de trazer mais lucidez sobre as epidemias contemporâneas e atingir um público maior. Além disso, se faz necessário que o Governo Federal disponibilize uma quantidade maior do Produto Interno Bruto brasileiro para a manutenção da saúde pública no país, de forma que a população tenha uma melhor condição de assistência.