Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 09/04/2020
A concentração da população nos arredores das fábricas, no início da Revolução Industrial, foi o germe da criação dos centros urbanos. Atualmente, essa urbanização facilita a disseminação de doenças e as transforma, rapidamente, em epidemias. Ademais, com a crescente globalização, casos que seriam indiferentes à população, dado suas pequenas proporções, hoje, são largamente divulgados pela mídia, o que gera, em última análise, histeria coletiva. O principal desafio, decorrente desse descontrole em massa, é a descrença do povo em relação aos órgãos públicos responsáveis.
Segundo o filósofo Michel Foucault, o homem é um ser “biopsicossocial” e, por isso, precisa de, dentre outros elementos, saúde e saneamento básico para não ter atitudes incivilizadas. Contudo, no Brasil, esses sistemas se mostram ineficientes e precários para grande parte da população carente que vive em favelas -fruto da urbanização não planejada- e nos interiores, onde o povo não é devidamente assistido, o que traz como resultado a rápida disseminação de enfermidades. Esse alastramento em curto espaço de tempo, é característica principal das chamadas epidemias, como é o caso da Cólera, da Zika e da dengue ocorridas no território brasileiro. Sendo assim, quando surge uma nova doença, ela é rapidamente difundida no país, uma vez que o povo, por conta da falta de recursos, é vulnerável.
Somado a isso, de acordo com a Constituição de 1988, todos têm direito à informação. Porém, com a crescente globalização e com o advento da internet, a sua relação com a humanidade tem mudado, visto que, hoje, a quantidade de notícias, pesquisas e conhecimentos disponíveis é enorme e, muitas vezes, o indivíduo absorve dados irrelevantes para a sua vida e ignora outros, de maior importância. Dessa forma, o brasileiro tem conhecimento de casos de doenças acontecidos em países distantes através da internet e da televisão, antes mesmo que se tornem relevantes à nação e demandem uma declaração pública do Ministério da Saúde. Esse “bombardeamento de informações” traz como resultado uma histeria coletiva da população, que, somada ao retardamento do pronunciamento oficial em relação ao da mídia, gera a descrença da sociedade nos órgãos governamentais. Essa desconfiança, é extremamente prejudicial para o controle da doença, pois os cidadãos questionarão ou não seguirão as recomendações dos responsáveis por contê-la.
Portanto, como forma de evitar o surgimento de novas epidemias e também a histeria coletiva e suas consequências. Se faz necessário que o Estado assista os socialmente mais vulneráveis, por meio da implantação de saneamento básico e de investimento no SUS. Além disso, é preciso que a sociedade se torne mais crítica em relação à mídia, através da confirmação da informação veiculada em sites responsáveis, como o do Ministério da Saúde e o da OMS.