Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 08/04/2020

De acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), é assegurado a todos o direito ao bem-estar. Entretanto, as epidemias contemporâneas desencadeiam desafios com relação à histeria coletiva e, infelizmente, esse fator compromete o equilíbrio das dinâmicas sociais. Com base nesse viés, é imprescindível analisar que esse cenário nefasto ocorre em razão de problemas envolvidos com a ausência da educação preventiva de qualidade somado à não democratização da informação de forma igualitária no Brasil.

Nesse contexto, segundo o educador Paulo Freire, as pessoas não são educadas, de um modo geral, para desenvolver a capacidade crítica e pensar no diferente como capaz, racional e, também, dotado em direitos. Tal questão implica, diretamente, no aumento da alienação e do individualismo humano além de refletir em histerias gerais perante crises epidêmicas por intermédio da ausência desafiadora prévia de educações e instruções competentes quanto a situações emergenciais de saúde. Assim, doenças contemporâneas acarretam, também, descontrole de comportamentos interssociais por, lamentavelmente, não existir ensinamentos preventivos relacionados a estados de emergência. Com isso, o desequilíbrio na dinâmica social decorrente da má formação estrutural brasileira compromete a aplicabilidade da DUDH na nação.

Ademais, conforme o filósofo Nietzsche, a população é acometida por uma moral de rebanho, processo organizacional nas relações cotidianas, que consiste na imposição de verdades e comportamentos reproduzidos automaticamente. Isso é considerado uma consequência da desinformação no Brasil, que é um dos maiores desafios do século XXI. Dessa maneira, a não democratização igualitária do acesso à informação sobre epidemias contemporâneas causa histerias coletivas baseadas na reprodução acrítica de comportamentos e ações errôneas, além de contribuir, de forma lamentável no estabelecimento do caos social. Assim, é notório que os desafios possuem segmentação no desigual acesso à notícias e a educação no país.

Nota-se, então, a importância do combate ao desespero compartilhado sobre as doenças epidemiologica atuais. Para isso, é de extrema necessidade que as instituições de ensino elaborem projetos sociais de conscientização popular por meio de palestras, diálogos e peças teatrais, que envolvam o alunado, a fim de explicar o verdadeiro significado das doenças de risco e como agir em situações emergenciais. Somado a isso, a mídia como corpo docente, deve disponibilizar a informação de modo lúdico e didático por intermédio de propagandas educativas visando o bem estar geral, garantido pela DUDH, para que, com isso, haja uma igualdade pública no quesito de instruções sociais.