Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 06/04/2020
Na “era da escuridão”, entre os séculos X e XV a peste negra dizimou cerca de um terço da população europeia. De forma atemporal, contudo, “trevas” como essa foram, diversas vezes, vivenciadas pelo mundo durante o decorrer da história. Atualmente, no que diz respeito as epidemias contemporâneas, a vinculação de “fake news” e a precária consciência de cidadania compreendem os desafios relacionados à histeria coletiva que, independente do tempo, tendem a potencializar a disseminação dessas doenças, o que transforma, nessa ótica, o presente em um reflexo do passado.
Primeiramente, a vinculação de notícias falsas produzem impactos em meio social. Em tempos epidêmicos, sobretudo, disseminar informações que faltam com a verdade é induzir da população menos informada a ter atitudes inconsequentes. Dessa forma, as “fake news” são um dos desafios relacionados à histeria coletiva que podem normalizar ações impulsivas para uma sociedade que precisa vencer o problema. No Brasil, por exemplo, a COVID-19, doença pandêmica contemporânea, esta sendo combatida com o isolamento social a fim de cessar a decorrência de mais casos. Contudo, com os brasileiros sendo bombardeados por notícias que instigam a quebra da quarentena, diversos locais públicos ainda continuam sendo utilizados e disseminação do vírus só aumenta - segundo pesquisas do ministério da saúde do país.
Em segunda ótica, essas ações impulsivas que fortificam a histeria coletiva em meio social são reflexos de uma precária consciência de cidadania. Isso porque, exercê-la em situação epidêmica é entender que ninguém tem o direito de ameaçar a saúde do outro. E, por isso, aqueles que ignoram as recomendações médicas, de forma egoísta, afetam não só a eles, mas como um todo que compreende a sociedade a qual pertence. Hannah Arendt, filósofa, analisa esse “egocentrismo” como banalização do mal. Tese a qual, ela explica como aquilo que não é sujeito na oração - vida de um indivíduo, por exemplo, é ignorado, banalizado e, diversas vezes, descredibilizado. Nessa perspectiva, a falta de consciência de cidadania, no que diz respeito a epidemias contemporâneas, é um problema de ação individual que tem como reação o coletivo histérico. Dessa forma, esse potencializa a disseminação de doenças graves e corrobora para a regressão dentro do combate ao problema.
Portanto, para que haja mudança nesse cenário, é necessária a atuação do Governo, Ministério da Saúde e, sobretudo, do Cidadão. De forma conjunta, no que diz respeito as “fake news” e a consciência de cidadania, essas três frentes devem trabalhar no combate a falta de veracidade e fomentação da empatia, utilizando portais oficiais para vincular notícias sobre as epidemias e como a ação individual é importante, divulgados de forma segura nas redes sociais, sempre assinadas pelo Ministério da Saúde.