Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 09/04/2020

No romance “Ensaio sobre a Cegueira “, do português José Saramago, menciona que ficar cego não significa perder necessariamente a visão, mas não querer enxergar a realidade em que se está inserido. Presentemente, de forma análoga, a sociedade parece não enxergar que tripulamos o mesmo barco no mar de atrocidades relacionadas a uma epidemia. Principalmente, quando a mesma é retratada com notícias falsas ou até mesmo banalizada pelos governantes, gerando histeria coletiva.

Segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, aquilo que foi criado para ser um instrumento de democracia, não deve ser convertido em uma ferramenta de manipulação. Por isso, é de extrema importância que as mídias sociais sirvam de instrumento de informação para a democracia, não somente em casos de epidemias. Desse modo, é de suma importância evitar e punir as diversas fake news, que quando voltadas para fragilidade da saúde coletiva, é ainda mais grave.

De acordo com a teoria de corpos dóceis, do filósofo Michel Foucault, indivíduos que dominam saberes e discursos, detêm a disciplinarização dos corpos, manipulando suas formas de agir e pensar. Nesse caso, com relação a epidemias e histeria coletiva, os governantes devem agir de maneira prudente, para que transmitam a verdade e apresentem as medidas corretas a serem adotadas pela população. Para que nenhum tipo de discurso contrario a verdade manipule a população dócil, uma vez que esse público pode agir de maneira errônea diante de manipulação. Agravando  ainda mais a histeria coletiva diante de epidemias.

Portanto, é necessário que o Estado, em parceria com a população, fiscalize e puna aqueles que tentarem tirar proveito de situações delicadas. Intensificando as punições e criando, por exemplo, um aplicativo que filtra as informações seguras, que a população possa se basear. Para que a sociedade, ao contrário do romance a princípio citado, haja de maneira conjunta, para enfrentar conscientemente a realidade das epidemias contemporâneas, e seus desafios com a histeria coletiva.