Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 09/04/2020

No final do ano de 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta sobre os recorrentes casos de pneumonia na cidade de Wuhan, na China. Tais quadros clínicos, que ainda tinham origens desconhecidas,  já se tratavam do novo Coronavírus (COVID-19), virulência altamente contagiosa, que em um breve espaço de tempo tornou-se uma pandemia, uma vez que já estava instalada em muitos países da maioria dos continentes. Nesse contexto patológico, analisa-se como o descumprimento das recomendações das autoridades da saúde  em consonância com o abuso dos preços de utensílios para enfrentar epidemias causam histeria coletiva.

Em primeira instância, as medidas impostas por especialistas na área da  saúde são essenciais para que o avanço de uma epidemia seja contido. Entretanto, uma parcela da população insiste em contrariar essas medidas preventivas, fator que eleva absurdamente o número de pessoas infectadas por determinada doença e consequentemente amedronta os indivíduos. A Itália, no primeiro trimestre de 2020, quis subestimar a Covid-19 e insistiu por um tempo em opor-se às recomendações da OMS e devido a essa postura tornou-se um dos países mais afetados pelo vírus e o número de mortes tem crescido bastante dia após dia. Assim sendo,esse fato lamentável permite a percepção de que quanto mais as orientações dadas pelos profissionais da saúde não serem respeitadas, maiores serão os prejuízos para a sociedade.

Em segunda instância, tem-se o fato de que quando há um surto de uma doença, muitos produtos  são recomendados para que haja o combate a tal patologia. Nesse sentido, a busca por esses itens cresce exorbitantemente. Contudo, é muito comum (apesar de errôneo) que estabelecimentos, nessa época, aumentem o custo desses utensílios para se beneficiar da ocasião. Esse reajuste de preços é veemente desaprovado pelo Código do consumidor vigente no território brasileiro (artigo 39), porém, esse ato continua sendo posto em prática e as pessoas que não possuem recursos suficientes para adquirir esses artigos acabam sem a proteção devida para enfrentar uma epidemia.Dessa forma, as vítimas do abuso dos preços do mercado entram em estado de desespero.

Portanto, é urgente que as redes televisionarias, em parceria com o Ministério da Saúde, possam conscientizar a população brasileira a respeitar as instruções preventivas vindas da OMS e dos demais órgãos da saúde por meio de campanhas educativas transmitidas em horários nobres e de picos (que levem a mensagem para um grande número de pessoas), a fim de que possam aprender a reagir diante de um cenário epidemiológico. Ademais, o Poder Público deve fiscalizar e punir os estabelecimentos que aumentam abusivamente o preço de  produtos em tempos de epidemias.