Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 08/04/2020
A epidemia da gripe H1N1, ocorrida em 2009, teve como epicentro o México, que devido a proximidade com os EUA, originou uma histeria na maioria dos países ocidentais, levando-os a adotar medidas de prevenção. Já na atualidade, diante da pandemia da covid-19, as mesmas nações não deram a devida importância a essa doença, devido, principalmente, ao etnocentrismo, uma vez que esse problema de saúde pública surgiu na China. Dessa forma, faz-se necessário discutir os impactos desta atitude nessas situações, bem como a influência das mídias sociais na difusão do medo.
De início, percebe-se que o grande número de casos de pessoas infectadas e a disseminação das atuais epidemias em diversos países, tem como causa o etnocentrismo das principais nações do mundo. Isso ocorre porque, ao se acharem superiores ao demais, negligenciam os perigos que doenças como ebola e covid-19 podem gerar, devido ao fato de essas terem surgido em países com baixo nível de desenvolvimento socioeconômico. Ao não adotarem medidas de proteção e ações para impedir o avanço de tais males, põem em risco as vidas de suas populações, especialmente os menos favorecidos, os quais não possuem fácil acesso a saúde.
Também, pode-se notar que mensagens veiculadas, em tempos de epidemia, através das redes sociais são responsáveis por disseminar o medo na sociedade e gerar um princípio de histeria coletiva. Isso ocorre porque os indivíduos que as transmitem não possuem senso crítico suficientemente desenvolvido para perceber o mal que essas mensagens, podem causar nos menos esclarecidos e os que apresentam o psicológico abalado. Como exemplo disso, tem-se um vídeo que foi amplamente compartilhado em um aplicativo de conversas instantâneas, mostrando uma sopa, supostamente feita com morcegos, e sugerindo que o consumo de tal alimento seria o responsável pela contaminação de humanos com certa doença e possível transmissão dessa a outras pessoas.
Portanto, percebe-se que o etnocentrismo de países desenvolvidos e a veiculação de mensagens falsas em redes sociais, são responsáveis, respectivamente, pela grande disseminação de doenças e pela histeria coletiva. Faz-se necessário, pois, que as escolas, através de aulas de sociologia, matéria responsável formação crítica dos indivíduos, abordem temas como cultura e preconceito, com a finalidade de formar uma geração mais aberta ao diferente e que não subestime os acontecimentos ocorridos em outras nações que não as deles. Também, cabe às empresas responsáveis pelas redes sociais investir no desenvolvimento de novos algorítimos que filtrarão mensagens falsas que venham a ser transmitidas, com a finalidade de prevenir uma possível histeria coletiva. Pois dessa forma, os países encararão as epidemias de forma semelhante ao que foi feito em 2009, excluindo-se a histeria.