Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 06/04/2020
Em 1904,no Rio de Janeiro,teve início uma campanha de vacinação obrigatória contra a varíola pelo Governo Federal. Contudo,devido à falta de informação fornecida à população,estabeleceu-se um período de pânico,caracterizado por revoltas que dificultaram o controle da doença. Atualmente,com as novas epidemias,principalmente o COVID-19,observa-se a volta da histeria coletiva,mas,diferentemente do que ocorrera,esse problema é oriundo da disseminação do terror e de notícias falsas pelos meios de comunicação que provocam problemas sociais,devido a reações exageradas da população.
Primeiramente,é válido destacar que a mídia e os meios de comunicação de massa são ferramentas importantes para a informação e a construção da opinião dos indivíduos,sendo,portanto,os principais responsáveis pela propagação da histeria social. Tal fato está diretamente relacionado com as ideias do cientista político Leonardo Sakamoto,segundo o qual a atual sociedade é marcada pelo processo de “terceirização da interpretação da realidade”,isto é,os sujeitos,ao não desenvolverem um pensamento crítico e a capacidade de analisar e selecionar informações,passam a moldar suas opiniões e comportamentos a partir dos ditames da mídia. Nesse contexto,a disseminação de notícias sensacionalistas,em busca de audiência,e de dados falsos sobre as epidemias contemporâneas nas redes sociais contribui para estabelecer o medo e a insegurança entre a população,além de dificultar a divulgação de orientações essenciais para superar essa crise.
Ademais,é importante citar que observa-se,como consequência dessa difusão do terror,a adoção de atitudes exageradas pela sociedade que fragilizam serviços fundamentais e prejudicam o controle dessas novas epidemias. Essas ações exemplificam as ideias do sociólogo Sérgio Buarque de Holanda,de acordo com o qual o brasileiro é um “homem cordial”,ou seja,a emoção é responsável por conduzir seu comportamento,sobrepondo-se,assim,à racionalidade. Nesse sentido,os sentimentos de temor e insegurança favorecem a prevalência de práticas individualistas sobre a preocupação com a coletividade. Tal desafio pode ser visto hoje,em que o medo do novo coronavírus fez muitas pessoas comprarem,excessivamente,artigos básicos e buscarem,muitas vezes sem necessidade,assistência médica,práticas essas que podem prejudicar o abastecimento de produtos essenciais e o sistema de saúde,elementos muito importantes para o enfrentamento desse problema.
Logo,para combater a histeria coletiva,o Estado deve buscar conscientizar a população. Isso pode ser feito por meio de propagandas informativas na mídia que orientem e sobre as medidas preventivas e acalmem a população quanto a gravidade da situação,além de divulgarem fontes confiáveis sobre a doença e desmentirem dados falsos,afim de evitar a difusão do medo e de ações inconsequentes.