Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 07/04/2020
A Constituição Federal de 1988 promete garantir saúde como um direito básico a todos os cidadãos, com o intuito de promover o bem estar físico e mental da sociedade. Porém, essa ainda não é uma realidade no Brasil, país o qual atualmente sofre com casos de epidemias que acarretam em histeria coletiva, e tende a prejudicar a sanidade mental da população. Nesse contexto, torna-se urgente discutir a importância do papel do Estado diante de situações de instabilidade, juntamente com o preocupante pânico social gerado pelas ‘‘fake news’’ no mundo contemporâneo.
De início, é pontual analisar que para o filósofo Tomas Hobbes, cabe ao Estado manter a ordem social em momento de crises. Tal argumento revela que a relação Estado-sociedade deve ser nivelada a partir não só de orientações educacionais de métodos para combater o avanço da epidemia, como também acalmar e tranquilizar a população. Esta deve receber total auxilio e cuidado para manter a saúde mental estabilizada, de maneira que afaste o caos coletivo e prevaleça o equilíbrio social. Diante da quase ausência do Estado, a população não instruída tende a entrar em colapso mental e agir de maneira histérica, o que dificulta a contenção da crise epidêmica e também prejudica o bem estar social.
Ademais, cabe entender que segundo o pensador Joseph Gobbels, uma mentira contada mil vezes torna-se verdade. Essa perspectiva pode caracterizar bem a realidade contemporânea das ‘‘fakes news’’, que por serem exponencialmente propagadas, terceirizam a interpretação de parte da sociedade. Essas inverdades são rapidamente disseminadas sem analise ou pensamento crítico e além de espalharem falsas informações (ou informações sem embasamento), casuam o pânico social. Logo, o compartilhamento irresponsável e rapidez de propagação dessas noticiais falsas da Era Digital tende a refletir numa população com diversas instabilidades psicosociais, o que enfraquece o equilíbrio e dificulta o bem estar social.
Diante dos fatos supracitados, é notório que o Brasil precisa direcionar mais atenção á questão do controle da histeria da população diante de crises epidêmicas. Urge, portanto, que o Ministério da Saúde promova a divulgação de propagandas educativas instrucionais, nos mais diversos meios de comunicação, que não só orientem á população aos cuidados necessários para a prevenção de tal doença, como também divulgue informações responsáveis sobre tal, com o intuito de conscientizar a sociedade e evitar que acreditem em ‘‘fake news’’. Ademais, cabe a Secretaria Especial da Cidadania uma parceria com a Mídia para a divulgação de filmes e obras artistícas, com a finalidade de acalmar a população por meio da arte, a qual consegue transfigurar realidades, e assim, conter a histeria no país.