Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 09/04/2020

O filme “Contágio” relata o surgimento de um vírus letal desconhecido e altamente contagioso, bastando apenas um contato com um objeto tocado pela pessoa infectada para ocorrer sua transmissão, apenas uma coisa se espalha mais rápido do que a doença, o medo da população. Ao perpassar da ficção para a contemporaneidade, nota-se a persistência de epidemias, as quais, ainda hoje, propiciam histeria coletiva. Nesse sentido, é válido ressaltar como desafios desse cenário, a falha nos investimentos em ciência e saúde pública, além da recessão econômica amplificada nesse período.

Evidentemente,em cenários de epidemias contemporâneas,um dos desafios que potencializam à histeria coletiva é o precário investimento em ciência e saúde pública. Tal questão pode ser justificada pelo fato desses setores serem responsáveis por boa parte do bem-estar social, já que,apenas pelas pesquisas científicas é possível desenvolver medicações que retardam ou minimizam os efeitos de doenças, além disso, somente pelo investimento em saúde pública,com desenvolvimento de redes hospitalares que atendam devidamente o corpo social é possível aplicar tais descobertas.Nesse sentido,observa-se que uma sociedade que não destina investimento a esses setores básicos, como ressaltado por uma pesquisa da Universidade de São paulo,a qual afirma que, “apesar dos benefícios, a ciência não é percebida como prioridade para o Brasil”, ao serem atingidas por epidemias são tomadas por um “onda” de histeria coletiva, visto que, a população passa a se sentir ameaçada pela doença e pela consciência de que não há como combate-la de forma rápida.

Nota-se, ainda, que outra propiciadora de histeria coletiva relacionada à epidemias contemporâneas é a recessão econômica que surge nesse cenário. Isso pode ser explicado pelo fato do controle de espalhamento dessas doenças exigir, muitas vezes, um isolamento social, o que faz com que diminua a circulação econômica do país, já que, vários estabelecimentos são fechados. Nesse viés, muitos trabalhadores perdem sua renda, o que provoca um “medo social” da fome, já que, apesar da rentabilidade populacional ser diminuída, as despesas básicas continuam sendo necessárias. Prova disso, é uma análise feita por especialista da Universidade do Rio de Janeiro, os quais afirmam que a desigualdade social irá se agravar em meio a epidemia do coronavírus.

Nesse sentido, é notória a importância da minimização da histeria coletiva em meio a epidemias contemporâneas. Para isso, o Ministério da Saúde, por ter a função de garantir a saúde pública, deve em parceria com o Governo Federal, disponibilizar um maior investimento para universidades, os quais devem ser voltados para pesquisas científicas voltadas para o combate a epidemias. Além disso, esse Orgão deve criar um “seguro poupança” para auxiliar e prover a renda populacional nesses cenários.