Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 03/04/2020

Na série britânica “Downton Abbey”, escrita por Julian Fellowes e ambientada nos anos 1920, a jovem aristocrata Lady Lavínia falece, após ser acometida com o vírus da gripe espanhola, responsável pela pandemia da época e pela morte de milhões de pessoas. Fora da ficção e nos dias atuais, apesar dos inúmeros avanços ocorridos na medicina, novas epidemias surgiram e, com elas, um dos maiores problemas contemporâneos: a histeria coletiva, muitas vezes ocasionada pela desinformação e disseminação de “fake news”, bem como pelo hiperfoco e omissão de alguns fatos nos noticiários.

É válido discutir, inicialmente, que um dos grandes desafios relacionados à histeria coletiva causada por epidemias atuais é a grande desinformação, agravada pela disseminação de “fake news”. Essa realidade é perigosa, pois, além de falsos cenários da doença serem divulgados, medidas equivocadas de prevenção também podem colocar mais indivíduos expostos à doença. Um exemplo recente são as inúmeras notícias falsas sobre o novo coronavírus, que tornou necessária a criação, por parte do Ministério da Saúde, de uma página na internet totalmente voltada para desmentir essas notícias.

Ademais, um outro fator que também contribui na disseminação da histeria coletiva na população é o pessimismo noticiado em grande parte dos noticiários. Diferentemente das “fake news”, esse pessimismo não é ocasionado por notícias falsas, mas sim, pela seletividade na divulgação das informações, que causa um maior pânico na sociedade. Como exemplo desse cenário, há o Covid-19. Diariamente, são divulgadas pesquisas e reportagens noticiando os números absurdos de possíveis infectados durante um determinado período de tempo. No entanto, o que na maior parte das vezes é omitido, é que uma porcentagem irrisória dos infectados terá um quadro grave ou falecerá. Porém, o fato de ser um vírus novo e, portanto, pouco conhecido, causa na sociedade um medo das possíveis consequências.

É necessário, portanto, que o Ministério da Saúde e a mídia, conscientizem melhor a população. Isso ocorrerá por meio de um trabalho conjunto entre os dois órgãos, os quais divulgarão, amplamente em rede nacional, canais de comunicação do Ministério nas redes sociais, em que serão compartilhados não apenas os números de infectados ou a profilaxia contra novas epidemias, mas também o avanço  das pesquisas com relação à cura, a fim de evitar a disseminação de “fake news” e também a instalação de um pânico generalizado. Dessa forma, além do índice de pessoas infectadas ser menor, as consequências de epidemias contemporâneas não mais serão amplificadas devido à histeria da sociedade.