Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 07/04/2020
Ao longo dos séculos, as sociedades são assoladas pela incidência de doenças, tais como a Peste Negra, no século XV, e a gripe espanhola, em meados de 1920. Assim como as enfermidades citadas, o aparecimento de patologias causa preocupações, tanto na comunidade científica, como na população. Essas parcelas enfrentam obstáculos, pois não podem agir separadamente e dependem do apoio de órgãos públicos e dos meios midiáticos para a divulgação coerente das informações.
A priori, nota-se que a população obteve, com o passar do tempo, uma descrença na ciência. Contudo, na Idade Moderna, acreditava-se que o conhecimento científico era capaz de “salvar” a raça humana. Embora tal ideia tenha favorecido o avanço técnico e médico, essa perspectiva de redenção foi frustrada, ocasionando uma fragilidade na relação com a sociedade. Esse viés pode ser observado na facilidade em que os cidadãos acreditam em notícias e informações, sem antes obter as comprovações, exemplifica-se como os casos de morte na Índia por intoxicação, pois a população foi levada a acreditar que a ingestão de bebidas alcoólicas seria a cura para o COVID 19.
Ademais, é necessário pontuar a importância da mídia em situações de calamidade. Essa é a principal responsável pela veiculação verídica de acontecimentos, entretanto, em muitos casos, divulga notícias que disciplinam pensamentos. Em conformidade com José Arbex, em sua obra ‘‘Showrnalismo’, a mídia cria um monopólio de informações. Devido a isso, muitas pessoas aumentam sua descrença na ciência e confiam apenas no que é visto e ouvido. Diversas vezes, tais veículos mascaram a verdade e utilizam de machetes sensacionalistas , pois compreendem que se trata de algo lucrativo, causando uma histeria coletiva irracional.
Portanto, é notório que o enfrentamento de epidemias na contemporaneidade possui fatores que contribuem para o desespero irracional da população. Para que tal fato não ocorra, é necessário que o Ministério da Educação e o CAPES, invistam nos projetos científicos e que esses sejam divulgados para os cidadão. Com a realização de palestras, vídeos em plataformas digitais as pesquisas científicas se tornariam mais acessíveis aos leigos e, desta forma, acabaria com a estigmatização de que o conhecimento é restrito a apenas uma parcela, aproximando mais as duas realidades. Ademais, é preciso que haja um apuramento nas notícias divulgadas pelo Ministério Público Federal, aplicando multas às plataformas que divulgarem fatos sem o embasamento científico, a fim de que as informações propagadas sejam verídicas.