Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 10/04/2020
O livro A peste, de Albert Camus, retrata a mudança na vida dos habitantes da cidade de Oreon, que entram em isolamento social depois de serem atingidos por uma terrível peste, transmitida por ratos, capaz de dizimar sua população. Não diferente da literatura, as epidemias atingem a sociedade desde a Idade Média, causando histeria coletiva e desordem. A partir desse contexto, é válido perceber a importância de analisar as barreiras contra o controle dessas epidemias, como a falta de informação e a dificuldade de acesso ao saneamento básico. A Revolta da Vacina, de 1904, foi uma rebelião popular contra a vacina anti-varíola realizada pelo governo brasileiro e comandada pelo médico sanitarista Oswaldo Cruz, visto que, a grande maioria da população pobre, que não teve acesso a educação de qualidade, não conhecia o funcionamento de uma vacina e seus efeitos positivos. Mesmo após 100 anos, é possível perceber que a escassez de conhecimento é um fator decisivo para proliferação de doenças. Um exemplo disso é a nova pandemia do COVID-19, mais conhecido como corona vírus, que levou vários países a adotarem a quarentena como medida de proteção e, ainda assim, muitas pessoas continuam indo para as ruas sem necessidade. Além disso, a repercussão de notícias falsas causa histeria, levando muitas pessoas que estão submetidas a alto estresse psicológico a acharem que foram contagiadas com a doença. De acordo com a Carta Magna, promulgada em 1988, a saúde é um direito de universal, sendo dever do Estado garantir o cumprimento dessa ordem. Entretanto, segundo o jornal O Globo, o esgoto de 45% da população brasileira não recebe qualquer tratamento, aumentando os riscos de contaminação. Desse modo, a destinação inadequada do esgoto e a falta de tratamento de água são focos de diversas doenças que se desenvolvem em ambientes insalubres. Além disso, a falta de saneamento contribui para o agravamento de epidemias, deixando a população mais exposta a vírus e bactérias que desencadeiam enfermidades potencialmente fatais. Portanto, é substancial a proliferação de conhecimento acerca das epidemias para que não ocorram tantos casos falsos. Em razão disso, o Governo, por intermédio dos Ministérios de Desenvolvimento Social, deve desenvolver palestras ministradas por médicos e profissionais da área de saúde, objetivando orientar os pais sobre a importância de seguir as recomendações, visando levar a reflexão e diminuir o número de casos. Ademais, por ser direito dos cidadãos o saneamento básico, deve-se instigar nessas mesmas oficinas petições aos governantes referente à criação desse bem para amenizar às doenças. Assim sendo, com tais medidas em prática, a sociedade poderá erradicar doenças contagiosas e assegurar o que está descrito na Carta Magna.