Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 09/04/2020

No período entre 1918 e 1920, a população mundial vivenciou a pandemia da gripe espanhola, que levou cerca de 50.000.000 de pessoas à óbito. Não distante da contemporaneidade, nos dias atuais, vive-se a pandemia do novo coronavírus, que surgiu na China, em novembro de 2019, e espalhou-se por todo o mundo. Em epidemias e pandemias como essas, além dos desafios causados pela própria doença, surgem aqueles relacionados à histeria coletiva, como a exploração ao consumidor, causada pela falta de produtos de proteção individual, e problemas de saúde como ansiedade e depressão.

A  “corrida” às lojas é um cenário comum em meio às epidemias. A população, movida pelo medo da falta de produtos, acaba por comprar excessivamente, o que pode causar um colapso no sistema de abastecimento dos supermercados e farmácias. Quando isso ocorre, os preços tendem a aumentar, o que dificulta a aquisição da mercadoria por pessoas de baixa renda. Isso pode ser explicado pelo conceito que a filosofa alemã Hannah Arendt, em seu livro Eichmann em Jerusalém, chama de banalidade do mal. Essa ideia consiste na banalização de atitudes más, realizadas pelo sujeito sem intenção de prejudicar algo ou alguém. Esses atos são realizados na sociedade e tornam-se  banais.

Com a chegada do novo coronavírus ao Brasil, em fevereiro de 2020, todos os estados foram, pouco a pouco, adotando medidas como o isolamento social para diminuir a transmissão da doença causada pelo vírus. Medidas como essa são fundamentais para o controle das infecções por agentes patológicos, porém acabam por causar doenças como depressão e ansiedade em pessoas mais suscetíveis. A “quebra” da rotina e a perda do convívio social temporário deixa muitas pessoas, principalmente as que já têm ou tiveram problemas como esses, vulneráveis a sofrer com isso. Segundo uma pesquisa publicada em março de 2020 pela revista “The Lancet”, após o isolamento devido à epidemia de SARS, síndrome respiratória aguda, em 2002, 31% das pessoas tiveram depressão, enquanto 29% apresentaram sintomas de estresse pós traumático. Isso torna o isolamento social muito mais difícil para a população, trazendo consequências mais sérias depois.

Logo, para evitar a falta de produtos e o aumento dos preços, o governo deve criar programas assistenciais, fornecendo alimento e recursos de higiene e proteção pessoal para a população de baixa renda durante as epidemias; assim como deve se pronunciar por meios de comunicação como televisões e rádios, conscientizando as pessoas para que comprem apenas o necessário para o uso pessoal. As ONG’s e organizações privadas também devem promover atividades de interação online, por meio de jogos e shows, por exemplo, para que as pessoas não sofram tanto com problemas como ansiedade e depressão. Somente assim os desafios relacionados à histeria coletiva serão resolvidos.