Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 06/04/2020
A gripe espanhola é considerada como a mais fatal epidemia dos tempos modernos. Essa pandemia teve o seu auge em 1918 e foi responsável por causar pânico na população mundial, situação corroborada pela ausência de grandes medidas para o seu tratamento. Na contemporaneidade, as epidemias continuam assolando o mundo de forma intensa, apesar de já apresentar grandes avanços tecnológicos na área da medicina, e ainda possui inúmeros desafios no campo social para a sua contenção eficaz. Com base nisso, é importante notar como o desespero coletivo impossibilita o controle dessas doenças no século XXI.
Inicialmente, é necessário analisar como situações que são causadoras de crises sociais aguçam o individualismo inerente à existência humana, manifestando um egoísmo disfarçado de proteção. Assim, o filme espanhol “O poço” retrata como os detentos dos níveis mais altos se alimentam de forma exagerada sem pensar nos que estavam nos níveis inferiores, garantindo a sua sobrevivência. Dessa maneira, pode-se comparar esse longa-metragem com a trágica realidade: pessoas acabam com os estoques de medicamentos, mantimentos, álcool em gel, sem motivos claros de ameaça, agindo de forma impulsiva. Além de impedir que a maioria da sociedade se proteja de forma adequada e diminua as taxas de contaminados de doenças como a Covid-19, mostrando a natureza humana egocêntrica.
É imprescindível examinar também o papel exercido pelas mídias sociais para o aumento de atitudes apocalípticas diante de enfermidades de caráter global. Tal situação pode ser exemplificada por meio da divulgação de notícias falsas que acabam se tornando altamente veiculadas pela internet, já que as manchetes fictícias são 70% mais compartilhadas do que as verdadeiras, de acordo com a Revista Science, causando mais pavor no meio social, pois muitos cidadãos não possuem uma capacidade crítica para filtrar essas informações. Diante disso, é visível que essas patologias enfrentam diversos embates nos dias atuais ocasionadas pelo descontrole da população, fazendo-se necessário buscar alternativas para a sua resolução.
Portanto, é cabível aos veículos sérios de jornalismo combater informações inverídicas acerca das temáticas de saúde pública por meio da criação de quadros intitulados como “Fato ou Fake” em redes de alcance nacional. Essas matérias teriam o objetivo de esclarecer de forma objetiva os mitos em circulação , levando a verdade para todas as esferas do país. Além disso, essa ação contribuirá para um maior controle das histerias coletivas e exercer mais empatia com os seus semelhantes. Desse modo, será viável agir de forma diferente do século XX e estabelecer comportamentos mais pacíficos do que os tomados durante a gripe espanhola.