Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 09/04/2020

No século 14, o mundo sofreu com a pandemia de peste bubônica. A rapidez com que a doença se espalhava e a quantidade de mortos deixou a população em pânico e a fez tomar medidas desesperadas, tal como selar as portas das casas que tivessem pelo menos um enfermo, deixando todos que lá estivessem condenados a morte. Na contemporaneidade brasileira, a histeria coletiva trazida pelas epidemias, assim como no passado, levam as pessoas a tomarem medidas desesperadas, assim como abre portas para superfaturamentos de produtos essenciais.

Primeiramente, é válido evidenciar que o surgimento de microcefalia e crianças nascidas de mães infectadas pela Zica, acompanhada da “fake news”, veiculada na mídia social, que associava a má formação citada à uma vacina reavivaram o pensamento anti preventivo não visualizado no Brasil desde o início do século 20. Este raciocínio levou ao aumento ou reincidência de casos de doenças pelo medo ignorante de uma parcela populacional e exemplifica a tomada de medidas desesperadas, que podem desconsiderar as concepções da saúde existente hoje, devido a histeria.

Outrossim, a sensação da necessidade histérica de ter um estoque produtos que previnam o alastramento de epidemias, causada pelo erro de comunicação entre o Estado e os cidadãos, leva a falta deles nas prateleiras do comércio e favorece iniciativas individuais e de empresas de oferecer esses bens por preços muito acima do normal. O erro governamental citado se embasa na grande divulgação da importância da precautela sem informar devidamente as consequências do desespero e da compra com excedentes trazem a médio longo prazo. Dessa forma, o estoque disponível diminui a medida que a busca pelos bens utilizados na precaução  aumenta formando um ciclo vicioso que, seguindo a lei da oferta e da procura, permite o aumento cada vez maior e criminoso dos preços. Assim, com o superfaturamento  o poder de compra é restrito, em especial o da camada mais carente, limitando o direito constitucional a igualdade de acesso e  a saúde de qualidade.

Portanto, é relevante a parceria entre a mídia informativa e Organizações não Governamentais na formulação e disseminação de uma campanha que vise amenizar os danos relacionados a histeria trazidas pelas epidemias. Isso só será possível por meio de comerciais que visem comover a população brasileira sobre as consequências da compra exagerada de produtos preventivos, assim como estimular a denúncia de casos de superfaturamento. Também é importante que os órgãos supracitados cobrem do Estado, usando de sua influência e credibilidade em apelos com a presença de economistas e profissionais da saúde voluntários. Dessa forma, impactos no número de mortos como os visualizados na pandemia da peste bubônica causados pelo desespero coletivo serão solucionados.