Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 03/04/2020

Atualmente, com a rápida proliferação do coronavírus, doença que se espalha ao redor do mundo e causa diversas fatalidades, surgiu uma onda de histeria, já que tal enfermidade gerou um impacto sem precedentes na sociedade. Essa situação de pânico é fruto da educação precária do Brasil e da negligência das autoridades governamentais quanto à saúde coletiva, desafios que impedem a manutenção da estabilidade da população em tempos de epidemia.

A priori, é válido ressaltar que a precariedade da educação brasileira contribui para a proliferação de epidemias, já que as escolas e famílias não incentivam os indivíduos a adotar atitudes essenciais à manutenção da higiene pessoal. Tais práticas, como lavar as mãos, escovar os dentes e tomar banhos frequentemente, são de suma importância para impedir o agravamento da disseminação de determinadas doenças, o que pode gerar uma situação de histeria em relação a tal problema. Essa realidade de negligência das instituições de ensino e dos núcleos familiares é tratada pelo pedagogo Paulo Freire ao definir a educação brasileira como “bancária”, ou seja, ela “deposita” conhecimento nas pessoas sem que haja a formação de um pensamento crítico quanto a situações do cotidiano. Consequência disso é a formação de cidadãos inconscientes quanto às questões sanitárias e a decorrente aceleração da disseminação de enfermidades.

A posteriori, é importante salientar que as autoridades governamentais não dão prioridade à manutenção da saúde dos indivíduos. Isso porque políticas preventivas voltadas à preservação de uma população saudável são escassas no país, visto que, segundo o Instituto Trata Brasil, 48% do povo brasileiro não tem acesso à coleta de esgoto. Esse problema faz com que tais pessoas não tenham acesso ao direito à saúde, que é garantido tanto pela Constituição Federal quanto pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, o que revela uma realidade desigual no âmbito da sociedade brasileira. Tal situação pode acarretar na proliferação de doenças que provocam pânico na população.

Urge, portanto, que medidas sejam tomadas a fim de impedir a proliferação de epidemias no Brasil. Para isso, é necessário que o Ministério da Educação conscientize os estudantes quanto à saúde coletiva, por meio de palestras realizadas em conjunto com especialistas e que contem com a participação das famílias dos alunos. Ademais, é de suma importância que o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Infraestrutura, garanta boas condições sanitárias à população brasileira. Isso deve ser feito por intermédio de investimentos estatais destinados à expansão da rede de esgotos do país, de modo a atender o maior número de pessoas possível. Somente dessa maneira, todos terão acesso à condições saudáveis de vida e a estabilidade emocional dos indivíduos será mantida.