Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 10/04/2020
Antônio Cândido, crítico literário, afirmava a existência de uma contradição humana,ou seja, embora os diversos avanços no campo da tecnologia, o homem persiste em reproduzir atitudes irracionais e incoerentes com o fácil acesso à informações. Isso se aplica, na atualidade, à histeria coletiva quanto as epidemias contemporâneas,visto que o pânico exacerbado pode acarretar em atitudes arbitrárias que desobedecem as recomendações de agentes da saúde. Nesse sentido, é necessário encarar a desinformação como fomentadora de atitudes histéricas que geram um desafio para o órgãos de saúde quanto a contenção de ações coletivas que chegam a obstaculizar a ratificação efetiva da epidemia.
Em uma primeira análise, é fato que a disseminação de informações erradas alimenta atitudes histéricas, que se tornam agravantes para a Saúde Pública conter o grau de contaminação das epidemias. Isso porque, segundo Michael Focault, o excesso de informação desqualificada é pior que a desinformação. Diante do cenário atual, o pânico coletivo faz com que as pessoas deem credibilidade para qualquer tipo de informação exposta nas redes, o que pode desencadear em uma série de atitudes que, diferente do que é recomendado pelos órgãos de saúde, intensificam o número de infecções por doenças. Exemplo disso foi uma notícia falsa, veiculada em aplicativos de comunicação, que afirmava que Fábio de Melo, padre e influenciador digital, incentivava as pessoas à continuarem trabalhando em período de isolamento social devido à epidemia de coronavírus. Diante disso, é indubitável que a disseminação de “fake news” ,devido a um pânico coletivo exacerbado, é um agravante no cenário de contenção epidêmica para o Estado.
Como consequência, para os agentes de saúde, a desobediência das recomendações, resultante da desinformação seguida por histeria, agrava a situação de liquidação de epidemias contemporâneas. Isso porque, quanto menos pessoas seguem as indicações do que diminui o grau de infecção, mais casos começam a surgir, corroborando para um inchaço no sistema de saúde publica e privada do país. Nesse sentido, é incontestável que atitudes irracionais como o pânico coletivo e a disseminação de informações falsas se apresentam como complicador da erradicação da doença.
Por fim, é fato que o pânico coletivo ,gerado pela disseminação de informações falsas em tempos de epidemia, intensifica o grau de infecções e obstaculiza as ações efetivas de agentes da saúde a fim de quitar o problema. Para lidar com esse problema, é necessário que o ministro da saúde faça pronunciamentos periódicos em horário nobre, em um contexto epidêmico, em rede nacional atualizando a população acerca da situação e desmitificando noticias falsas sobre o contexto em questão.