Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 05/04/2020

A peste negra, ocorrida na idade média, foi uma doença que alastrou-se rapidamente por toda Europa e atingiu milhares de pessoas, fatores como o desconhecimento populacional e científico da época , aliado à ausência de saneamento, contribuiu para desequilíbrio social. Hodiernamente, epidemias e pandemias contemporâneas como a dengue, microcefalia e o atual corona vírus, encontram inúmeros desafios, sobretudo, quanto à histeria coletiva. Isso ocorre devido à mídia sensacionalista em conjunto  com a ineficácia educacional do Estado e aos maiores riscos que a globalização aparenta oferecer nesse âmbito.

Em primeira análise, a descrença populacional na eficácia das políticas governamentais cria um estado, segundo o filósofo Dahrendorf, de “anomia social”. Tal fator, quando associado à mídia sensacionalista, que busca a todo custo visibilidade sem medir possíveis impactos na população, cria um cenário preocupante quando surgem epidemias. Isso porque a sociedade não sabe como reagir, por conta do pouco ou nenhum conhecimento acerca do problema que os atinge, e desconfiante da proteção estatal, engloba qualquer informação que recebe, sem se aprofundar, criando uma histeria coletiva que dificulta a ação dos órgãos de saúde no combate ao problema e facilita a propagação, quando transmissível, da doença.

Em segunda análise, a globalização ao passo que diminuiu as fronteiras entre os países, aumentou o risco de doenças se tornarem epidêmicas. Esse fato se dá porque vivemos na era em que pessoas e “vírus” podem fazer viagens aéreas por todo o mundo, exemplo disso tem-se a atual pandemia do “COVID-19”, popularmente conhecido como corona vírus, o qual se concentrava inicialmente na cidade de Wuhan (China) e hoje encontra-se espalhado por diversos continentes. Esse é um dos inúmeros fatores que trazem preocupação para a sociedade, a qual fica acometida pelo medo e isso, quando não cuidado por meio de informação, pode dificultar a combate a tal problema.

À luz dessas constatações, visando o combate as atuais epidemias e seus desafios à histeria coletiva,  cabe, portanto, ao Ministério da Educação em parceria com a Mídia analisar não só as informações transmitidas e seus riscos, como também oferecer maior apoio social no combate a esses problemas contemporâneos. Isso por meio de debates com profissionais da saúde que falem sobre como se prevenir, os riscos e todo conhecimento acerca das doenças, além de propagandas socioeducacionais. Ademais, cabe a Organização das Nações Unidas, criar medidas mais rigorosas pautadas em métodos de prevenção aos contágios de epidemias locais para que não se tornem mundiais, por meio da maior fiscalização sanitária em transitações internacionais. Combatendo-se, assim, o desequilíbrio social.