Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 08/04/2020

Durante a Idade média, uma epidemia denominada “Praga da Dança” fez com que pessoas, aparentemente normais, dançassem durante 4 meses até a morte. Hodiernamente, epidemias contemporâneas têm enfrentado desafios relacionados à histeria coletiva, seja pelo papel descontrolado e superficial da mídia ou pela intensa disseminação de fake news sobre o assunto.

É preciso, inicialmente, destacar que o papel histérico e superficial da mídia é um desafio enfrentado para conter a histeria coletiva. O cenário epidêmico torna-se ambiente propício para aumentar a audiência almejada pela esfera midiática, a qual investe em informações descontroladas afim de prender a atenção do telespectador. Redes televisivas apostam em 11 horas consecutivas de notícias sobre o Coronavírus (O Globo) , fato que tem promovido o desequilíbrio coletivo pela excessividade de informação. Além disso, telejornais têm fomentado o pânico através da parcialidade informativa, pois, têm investido na divulgação de dados alarmantes sem explicá-los ao público. De acordo com o site Gazeta do Povo, o jornal mais popular do Canadá alertou que entre 40% e 70% da população mundial de adultos seria infectada pelo COVID-19, sem, no entanto, explicar que infectar-se não era sinônimo de morte, fato que contribuiu com a perturbação social no país.

Outrossim, a intensa disseminação de fake news em cenários epidemiológicos fomentam a histeria coletiva. Tal difusão aparece como gatilho final que empurra algumas pessoas ao limite e deixam suas mentes tomarem conta de seus corpos. Epidemias contemporâneas potencializam a existência de corpos dóceis, descritos por Foucault, mentes cheias de incertezas, receptivas a qualquer informação. Assim, cria-se o cenário perfeito para a propagação de inverdades e posterior potencialização do descontrole civil. A exemplo disso, têm-se o vídeo, propagado em massa, do prefeito de Limeira (SP), vítima de edição criminosa. Nele, o prefeito alerta a população para não entrarem em desespero, pois, “todos seremos contaminados pelo coronavírus”, veiculação de notícia falsa a qual contribuiu com o desequilíbrio coletivo.

Dessa forma, cabe ao Governo Federal propor aos canais midiáticos que intercalem o serviço informativo com a programação normal e não sejam superficiais na divulgação de dados. Tal proposta deverá fornecer bônus no que diz respeito à participação em eventos oficiais promovidos pelo Governo, a fim de diminuir o descontrole civil. Além disso, cabe ao Ministério da Justiça fiscalizar e punir, por meio de multas ou prisão, a disseminação de fake news, através de uma plataforma na qual seja possível denunciar a veiculação de notícias falsas, a fim de evitar a histeria coletiva. Assim será possível fazer com que a “Praga da dança” não se torne uma realidade contemporânea.