Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 03/04/2020
Um homem com um corpo agigantado e a cabeça diminuta. Essa é a imagem presente na tela Abaporu da pintora Tarsila do Amaral. Na construção desse personagem modernista, vê-se a intenção de expor a ausência de pensamento crítico do brasileiro do século XX, deficiência essa responsável por gerar um comodismo social. No entanto, esse déficit perdura até os dias atuais desencadeando posturas resignada frente a problemas, como as epidemias contemporâneas. Sob essa ótica, cabe analisar os aspectos políticos e culturais que envolvem essa questão no Brasil.
Primeiramente, pontua-se que o Poder Público mostra-se negligente ao permitir as epidemias. Isso porque há, por parte dos órgãos executivos, uma ineficiência quanto ao processo de conscientização, uma vez que falta incentivar a população sobre a importância da adoção de medidas higiênicas para conter uma maior transmissão de doenças, como o corona vírus, o que prejudica o direito à saúde. Sendo assim, nota-se que o governo não tem garantido o bem de todo o coletivo, demonstrando, dessa forma, a ausência de consolidação dos princípios fundamentais alicerçados nos ideias iluministas do século XVIII em prol da democracia.
Também, observa-se que o silenciamento social frente à manifestação epidêmica apresenta-se como fator agravador desse quadro negativo. Contudo, parte da população tem demonstrado certa inércia diante desse cenário por acreditar que são majoritários os segmentos políticos contrários ao investimento financeiro em equipamentos de proteção, como exemplo tem-se máscaras e luvas, em busca de um menor contágio. Recorrendo aos estudos da cientista política Elisabeth Noelle-Neuman para explicar esse fenômeno, constata-se que, para evitar conflitos com grupos dominantes, alguns indivíduos tendem a fortalecer uma espiral do silêncio, permitindo, assim, a manutenção de alguns entraves.
Ressalta-se, portanto, que a disseminação da epidemia deve ser combatida. Para isso, é necessário exigir do Estado, via debates em audiências públicas, uma maior conscientização social sobre a prática de medidas higienizadoras em locais públicos privados, de modo a evitar uma maior proliferação de doenças. Ademais, é essencial estimular a população, por intermédio de campanhas midiáticas produzidas por órgãos não governamentais, a respeito da necessidade de haver um maior engajamento coletivo para a quebra do silêncio em defesa do financiamento de equipamentos para proteção. Desse modo, a falta de senso crítico e o comodismo social poderiam ficar restritos ao Abaporu de Tarsila do Amaral.