Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 04/04/2020

Sob a ótica do sociólogo Émile Durkheim, a sociedade pode ser entendida com um organismo vivo, pois depende do pleno funcionamento de várias partes para que permaneça em equilíbrio. Sendo assim, são essenciais lucidez e tranquilidade no âmbito social para que toda a nação possa superar as epidemias contemporâneas. Dessa forma, é imperiosa a compreensão de que essas doenças são agravadas pelo alto fluxo de pessoas no mundo e também pelo pânico da população, que impede a propagação de orientações eficazes no combate dessa conjuntura.

A priori, no século XIV, as Grandes Navegações possibilitaram que os portugueses expandissem o seu domínio para além de Portugal. Essa atividade provocou a morte de milhares de índios, não somente pela atitude violenta dos colonizadores, mas também porque eles trouxeram para a colônia doenças que o nativo não estava preparado para enfrentar. Atualmente, não mais no contexto da expansão marítima, mas sim da globalização, a alta mobilidade de pessoas pelo mundo favoreceu a dispersão de doenças que antes eram exclusivas de um só lugar. Logo, sem o cuidado com a saúde pública, o esforço das novas tecnologias em superar os limites geográficos e aproximar os indivíduos terá sido em vão, visto que as epidemias farão o possível para separá-los.

Em segunda análise, a histeria social advinda dessas doenças vai de encontro ao seu combate, pois o medo faz com que as pessoas se retraiam e não destinem a devida atenção às orientações de fontes responsáveis. Nesse contexto, segundo o sociólogo Michel Foucault, diz que existe uma relação intrínseca entre poder e conhecimento, pois ao entender o contexto em que vive o indivíduo é capaz de agir produtivamente contra aquilo que não é benéfico para si. Dessa forma, a histeria impede que os indivíduos adquiram poder, na medida em que ofusca o que realmente importa: o conhecimento sobre as medidas profiláticas e o tratamento dessas doenças.

Portanto, com o fito de amenizar os malefícios da grande movimentação de pessoas pelo planeta, a Organização Mundial de Saúde (OMS) deve ampliar o controle na disseminação de infecções, por meio da implementação de agentes de saúde nos aeroportos de todos os países, responsáveis em verificar a condição fisiológica de cada passageiro. Além disso, é mister que o Governo Federal atrelado ao Ministério da Saúde amplie a circulação de informações em momentos de epidemia. Isso pode ocorrer com a criação de um programa chamado “Brasil unido contra as epidemias” , exibido em horário nobre e ministrado por médicos e psicólogos que expliquem, de maneira didática, para a população, os prejuízos da histeria no enfrentamento dessas doenças, assim como formas de controlá-las. Logo, com essas medidas, o organismo vivo, destacado por Durkheim, poderá manter-se em equilíbrio.