Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 06/04/2020
No quadro “O Grito” do pintor Edvard Munch, vê-se que os personagens, ao fundo da tela, mostram-se indiferentes ao desespero vivido pela figura humana no plano central. Contudo, essa falta de interesse aos problemas sociais não se limita à arte expressionista, já que em momentos de epidemia o excesso de informações, dadas pela mídia, e o individualismo social vem ocasionando uma histeria coletiva, fazendo o Brasil viver algo semelhante a tela.
Primeiramente, entende-se que o Estado apresenta-se negligente ao não garantir tranquilidade aos seus cidadãos em um momento de crise epidêmica. Afirma-se isso, pois no instante atual, com o surto do COVID-19, o excesso de informações tem causado um pânico nas pessoas, acometendo em problemas psicológicos como a ansiedade e a depressão, que vem a causar uma histeria coletiva. Sendo assim, observa-se que segundo o filósofo contratualista Jonh Locke, os indivíduos têm direitos desde o seu nascimento e é dever do Governo garantir o cumprimento desses direitos vitais, desse modo, os governantes estão rompendo o contrato social, já que não estão assegurando o bem-estar de toda sociedade proporcionando tranquilidade emocional para a todos que a compõe.
Além disso, percebe-se que falta engajamento coletivo em prol de conter as epidemias. Prova disso, é que já se vive, no Brasil, em algumas épocas do ano, surtos de dengue que poem em risco a saúde da população e o SUS, Sistema Único de Saúde, que fica congestionado e sem condições de atender todos os necessitados. Dessa maneira, nota-se que a falta de coletividade entre as pessoas promove um aumento nos casos dessas doenças virais, visto que, a contenção no número de casos se dá devido a um trabalho de contenção feito em conjunto, como a manutenção da limpeza urbana. Paralelo a isso, segundo o sociólogo contemporâneo Zygmunt Bauman após a Segunda Grande Guerra um pessimismo se instaurou no mundo, fazendo com que a pressa de viver o hoje sem pensar no amanhã fizesse as pessoas tornarem-se individualistas, e, desse modo, sem analisar o coletivo podem proporcionar o aumento das epidemias.
Evidencia-se, portanto, que os surtos epidêmicos e a histeria social devem ser superados no Brasil. Para reverter essa problemática, é necessário que o Governo, em conjunto com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, promovam de forma mais sutil a informação sobre o surto do COVID-19 no país, estabelecendo um horário diário de atualizações sobre o quadro da doença, com o objetivo de não causar uma histeria coletiva e proporcionar um bem-estar social. Logo, é importante que a sociedade saia do modo individualista e comece a trabalhar no coletivo, com o auxílio do governo e da mídia, para promover a limpeza urbana e assim as pessoas viverem e harmonia social.