Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 07/04/2020

A globalização existente no século XXI, que possibilitou o encurtamento das distâncias, trouxe malefícios para a saúde mundial: o intenso fluxo de pessoas facilita a propagação de epidemias entre os países. Nesse sentido, há o surgimento do pânico generalizado quando predomina a desinformação, o que torna necessário o incentivo a uma formação educacional racional e o combate às informações falsas, ou Fake News.

A princípio, o educador Paulo Freire alega um tradicionalismo nas escolas brasileiras por meio da educação bancária, ou seja, depositora de conhecimento, que está dissociada da análise crítica da realidade. Isso relaciona-se à histeria coletiva, em épocas de epidemias de doenças, na medida em que não há uma percepção racional e científica das informações pelo cidadão comum, esse que se torna refém do conhecimento manipulado, baseado em opiniões e na parcialidade. Tal realidade de submissão ao pânico pode ser explicada, também, com dados do site UOL Educação, em que apenas 8% dos brasileiros são proficientes em leitura, ou seja, têm a autonomia para ler textos e interpretá-los. Conclui-se, portanto, que para combater a histeria, deve haver o esclarecimento sobre as formas de contágio das doenças, dos métodos preventivos e a atualização constante sobre o cenário epidêmico, priorizando sempre o esclarecimento crítico e racional.

Em segundo plano pode-se considerar, também, que a disseminação em massa de informações distorcidas é uma estratégia intencional para a manutenção da histeria coletiva. Sendo assim, o filósofo Mário Sérgio Cortella afirma que a mídia, por ser parte do cotidiano, atua como um “corpo docente” e, portanto, é responsável por grande parte daquilo que se toma como conhecimento. Assim, quando há o predomínio das Fake News, existe o perigo dos indivíduos não reconhecerem a importância de confrontar a veracidade da notícia e contribuírem, irracionalmente, para um pânico generalizado. Logo, percebe-se os meios de comunicação devem atuar de modo a combater o terror informacional, isso por meio do conhecimento científico e imparcial acerca das doenças epidêmicas.

Tendo em vista a realidade de histeria analisada, é necessário que o Ministério da Educação, em parceria com a Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom), divulgue, para a população em geral, um projeto de conscientização acerca das doenças epidemiológicas, por meio de campanhas que expliquem os pontos principais das doenças e estratégias de ações, divulgadas no meio televisivo e em redes sociais, a fim de estimular uma atitude racional do cidadão. Paralelamente, o Ministério da Saúde deve disponibilizar plataformas virtuais de checagem das informações, como aplicativos, visando elucidar informações duvidosas e dúvidas frequentes sobre a doença em questão.