Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 10/04/2020

O filme “Contágio”, de 2011, retrata o surto de um novo vírus letal e a corrida contra o tempo dos profissionais para conter a disseminação da doença e o crescente pânico da população. Para além do campo ficcional, as epidemias e pandemias da atualidade revelam que nada se alastra mais rápido que o medo. A partir desse viés, entender os principais elementos geradores da histeria coletiva, bem como o que contribui para a sua permanência na sociedade, é mais que fundamental.

Primeiramente, é notório que as principais causas referentes ao pânico coletivo são as notícias tendenciosas e as notícias falsas. Isso ocorre devido ao imenso poder que a mídia exerce nos indivíduos, potencializado no contexto contemporâneo, que permite uma velocidade de propagação sem pretendentes do que é veiculado. As informações e os dados inverídicos, então, geram um ciclo sem fim de desinformação e pavor, pois, para ficar doente, uma pessoa precisa entrar em contato com pessoas ou superfícies contaminadas, mas para entrar em pânico, basta entrar em contato com um rumor. Como prova das proporções que isso pode tomar, o Ministro da saúde, em pronunciamento oficial, relatou que os casos de fake News superaram os de COVID-19, doença pandêmica presente no cenário atual do Brasil e do mundo.

Em contrapartida, ao fazer uma releitura mais contemporânea da máxima do Filósofo Thomas Hobbes, onde o homem não é mais o lobo do homem, e sim o ser humano é o vírus de sua própria espécie, percebe-se que o elemento que permite a histeria coletiva perdurar parte de cada indivíduo. Essa situação ocorre devido ao individualismo narcisista cultivado pela sociedade capitalista do imediatismo, na qual as impressões individuas ficam aumentadas, impossibilitando muitas vezes o senso de coletividade e resultando em mais ações que incitam a calamidade já instaurada. Isso pode ser observado nas “compras de pânico”, a necessidade de estocar mantimentos em momentos de crise, como epidemias, que causam sobrecarga da cadeia de suprimentos, segundo IRi, uma empresa de pesquisa de mercado dos EUA.

Dessa forma, fazem-se necessárias medidas que visam a diminuir as potenciais histerias frente às epidemias. Para tanto, cabe ao Ministério da Saúde, por tratar diretamente de questões relacionadas a saúde pública, criar um canal que combata as divulgações tendenciosas. Isso deve ser viabilizado por meio de um portal on-line, no qual as informações relacionadas à doença em questão sejam selecionadas e categorizadas em mito ou verdade, além de conter uma breve explicação sobre cada proposição, de forma a garantir uma menor disseminação não só da doença, como também do ascendente medo e das tendências individualistas.