Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 04/04/2020
No século XIV, a Eurásia, como era chamada a junção da Europa com a Ásia, foi palco da pandemia conhecida como “Peste negra”, tal doença foi intensificada pelos costumes medievais e pela grande rota da seda que existia entre os dois continentes. Hodiernamente, é perceptível um grande número de epidemias, e, apesar da diferença entre os hábitos medievos e contemporâneos, a modernização trouxe alguns problemas. Assim, é visto que a histeria resultante do sensacionalismo midiático - que ocasiona a formação de “bolhas” - e a forma como as mensagens são repassadas dentro da dinâmica das redes sociais - propagando “fake news” -, contribuem para uma piora do cenário epidêmico.
Em primeira análise, é importante ressaltar o papel da mídia democrática em uma epidemia, responsável por informar a população e, com isso, salvar vidas. Contudo, como diz o cantor brasileiro Renato Russo na canção “Metrópole”, a mídia, a fim de mercantilizar a informação, utiliza-se das emoções do público, e as exploram, causando pânico e uma alienação crítica que faz as pessoas agirem de modo irracional, intensificando a situação e agravando o cenário. Esse panorama lamentável acontece pois a população é induzida a uma espécie de banalização, e até um apreço, pelo mal, onde notícias ruins são mais rentáveis e atraem mais os telespectadores, criando uma espécie “bolha” que causa histeria, intrigas e irracionalidade nos indivíduos.
Em segunda análise, o cientista e músico americano Jaron Lanier argumentou que as redes sociais podem deixar a sociedade mais vulnerável, se não forem bem utilizadas. Isso nos expõem que, durante uma epidemia, na contemporaneidade, apesar da sua importância como forma de consciência da situação, as redes sociais podem servir como meio de propagação de “fake news”, que acarretam em uma desinformação geral, na adoção de pseudociências - atitudes e falácias baseadas em “achismo” -, descrença nas instituições e pânico generalizado
Portanto, é notória a importância ao combate da histeria em situações epidêmicas na atualidade. Para isso, faz imprescindível que o Ministério da Saúde promova a participação de médicos e cientistas - principalmente da área de infectologia - de diversos polos do Brasil, em programas televisivos, para instruir a população e combater a propagação de notícias falsas, sem diminuir a situação, criando responsabilidade nas pessoas e visando diminuir o pânico. Em paralelo, os centros educacionais devem instruir seus educadores - em especial os de filosofia, sociologia e biologia - a informar e conscientizar, por meio de aulas e palestras, os indivíduos sobre a importância de se ter responsabilidade nos meios virtuais, sempre mantendo a criticidade, a calma e averiguando o que é repassado. Só assim poderemos abandonar de fato a barbárie do comportamento medievo.