Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 05/04/2020
De acordo com o cientista Charles Darwin, o “Homo sapiens”, dotado de racionalidade, consegue, ao transformar a natureza, contornar a seleção natural. Essa sobrevivência foi, ao longo dos séculos, sobretudo na Era Contemporânea, posta em “xeque” pelas numerosas epidemias que assolaram a humanidade. Em consequência disso, essas doenças de grandes extensões transformam-se em desafios às sociedades, no que diz respeito à histeria coletiva advinda da limitada difusão de informações, em paradoxo à disseminação de notícias falsas acerca dos surtos epidêmicos.
Primeiramente, o filósofo Michel Foucault afirmou que o ser humano é composto por três áreas que se complementam: biológica, social e psíquica. O bom funcionamento desta está ligado a posse do conhecimento que conduz à plena formação do indivíduo. No entanto, o limitado fluxo informacional, especialmente o relacionado a epidemias, pode provocar insegurança por parte da população e consequentemente a histeria coletiva. Ou seja, a omissão ou seleção de notícias relacionadas aos surtos epidemiológicos forma no meio social opiniões extremistas em detrimento aos estudos científicos, na contemporaneidade. Esse contexto pode desencadear o descontrole e a instabilidade da sociedade que, sem o pleno conteúdo informacional, não sabe como agir em meio a uma crise na saúde mundial.
Paradoxalmente, a propagação de notícias falsas sobre as epidemias do século XX e XXI intensifica o descontrole social. Segundo o ministro da saúde, Henrique Mandetta, as “fake news” contribuem para a dualidade informacional e a consequente falta de credibilidade por parte da população nas notícias veiculadas. Dessa forma, tem-se a formação do caos na sociedade mundial relacionada às incertezas econômica, biológica, política e social. Assim sendo, na presente pandemia do coronavírus e na imposição da quarentena, comunidades em todo mundo se encontram na insegurança em relação ao emprego e à saúde. Isso pode provocar o desequilíbrio das relações inter-humanas e a histeria coletiva.
Portanto, cabe às organizações mundiais criar medidas, em meio aos surtos epidêmicos, que solucionem os desafios relacionados à histeria coletiva. Dessa forma, a Organização Mundial da Saúde deve promover ações sociais, por meio da elaboração de protocolos que visem a resolução dos impasses da empregabilidade e da saúde do indivíduo. Isso será possível pelo estímulo ao levantamento de alternativas trabalhistas, em casa, com o uso da tecnologia, como o chamado “home office”, além da orientação da saúde por profissionais, via internet. Ademais, o governo de cada país deve desestimular a propagação de notícias falsas pela credibilização de sites, canais televisivos e revistas para a explanação íntegra de noticiários, com o objetivo de evitar o desajuste social e formar uma população bem informada acerca das epidemias que assolam na contemporaneidade, de acordo com o homem foucautniano.