Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 06/04/2020
A gripe espanhola de 1918, primeira pandemia da História, resultou na morte de milhões de pessoas em todo o planeta, o que gerou ansiedade e estresse psicológico na população mundial. De forma análoga, no contexto contemporâneo moderno, grandes epidemias têm surgido, como a COVID-19, e contribuído com a incidência da histeria coletiva, o que dificulta o combate à infecção. Dentro desse panorama, dois desafios são lançados às instâncias sociais competentes: esclarecer o povo sobre a dimensão da doença e garantir os empregos aos seus trabalhadores.
Em primeira análise, a veiculação de notícias pela mídia deve ser discutida, visto que o elevado quantitativo de notícias, algumas vezes contraditórias, excede a capacidade humana de gerenciamento dos dados, causando histeria na população. Conforme pesquisa realizada pelo Instituto Paulo Montenegro em 2016, apenas 8% da população brasileira sabe ler e escrever de forma proficiente. Sendo assim, tal educação deficitária dificulta a compreensão do momento atual, e implica no compartilhamento desenfreado de “Fake News” pelos internautas, sem verificar, previamente, as fontes das publicações. Assim, o não esclarecimento sobre a real proporção da epidemia atual pode provocar histeria e levar ao descumprimento das medidas preventivas, o que aumenta os casos da doença.
Ademais, a instabilidade na manutenção dos empregos proporcionada pelo isolamento social, necessário para conter a propagação do vírus, tem causado histeria nos trabalhadores brasileiros, que enfrentam o medo, sobretudo, de sentir fome. Segundo o filósofo inglês Thomas Robbes, o Estado é o responsável por garantir o bem-estar de sua população. Entretanto, isso não acontece no país, uma vez que empresas, devido à crise econômica, continuam demitindo seus funcionários para contenção de despesas, assim como, ambulantes ainda estão impossibilitados de trabalhar devido à ausência do público consumidor. Isto posto, é inadmissível tentar superar uma epidemia em detrimento dos direitos humanos de um povo, como o acesso à alimentação adequada e ao trabalho, sendo necessária uma ação governamental para garanti-los e mitigar o clima de vulnerabilidade emocional do período vigente.
Por fim, cabe ao Congresso Nacional garantir os direitos constitucionais dos brasileiros por meio da criação de leis que assegurem o financiamento adequado aos trabalhadores informais e protejam os vínculos empregatícios formais, aplicando sanções às empresas que estejam dispensando seus funcionários sem justa causa. Ainda, a mídia deve combater as “Fake News” através de campanhas publicitárias de educação digital, no Facebook e Instagram, com uma linguagem acessível a todos, que instruam a população a identificá-las antes de compartilhá-las sem a mínima análise. Tais propostas visam reduzir a histeria coletiva e aumentar a adesão às medidas preventivas no combate à COVID-19.