Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 10/04/2020

Exibido pela plataforma Netflix, ‘’O Poço’’ retrata uma prisão vertical cujo sistema se baseia em sua comida, suficiente para todos, ser distribuída de cima para baixo. A problemática se encontra quando os prisioneiros acima abusam dos recursos, o que leva os presos abaixo a passarem fome, várias vezes levando-os à morte. Ao sair da ficção e ir para a atualidade, percebe-se que, análogo ao que acontece no filme, com a explosão de epidemias, a população - quando histérica - estoca suprimentos em excesso, o que leva o resto desprovido a se submeter a situações de risco.

Em uma primeira observação, entende-se que o excesso de medo da população é um dos fatores que agravam uma epidemia. Segundo o psicanalista Freud, o comportamento das massas é muito simples e exaltado, indo à extremos com facilidade. Então, ao levar isso para o contexto epidêmico, a sociedade com altos níveis de insegurança procura comprar o máximo de suprimentos para satisfazê-la, sem considerar o outro. Essa histeria reverbera em desabastecimentos, por exemplo o de luvas e máscaras durante a pandemia de Coronavírus, essenciais apenas para doentes e ocupacionais da saúde, segundo especialistas. Nessa situação, o que se observa é que são colocados em risco os profissionais de saúde que entram em contato direto com o vírus, pois esses não têm aqueles recursos suficientes disponíveis em hospitais públicos.

É válido considerar, no entanto, que a falta de medo também representa uma problemática a ser discutida. Pelo pensamento freudiano, como a atitude das massas varia entre extremos, quando não há preocupação da população, o risco de contaminação é aumentado exponencialmente, segundo gráficos da OMS, pois esses não seguem as recomendações de saúde. Então, é preciso que a insegurança dos indivíduos sejam sanadas em sua maioria, de modo a fazê-los aderir aos conselhos dos orgãos competentes, como uma quarentena.

Portanto, para combater epidemias, é necessário controlar o medo da nação. Nesse intuito, é essencial que as redes de distribuição de suprimentos, como supermercados, em conjunto com a Agência de Proteção e Defesa do Consumidor, impeçam o desabastecimento. Para isso, é fundamental que se aplique um número máximo de cada produto para todo indivíduo nesses locais, além da agência monitorar o abuso de preços por essas redes, aplicando-os as multas necessárias. Paralelo a isso, é preciso que o poder Executivo, assim como as mídias, controlem inseguranças das massas para fazê-los entender a situação. Com essa ideia, é imperativo que se reproduza na internet  as recomendações dos orgãos de saúde competentes por meio de postagens nas redes sociais e propagandas. Desse modo, não nos comportaremos como os prisioneiros do ‘Poço’ - egoístas e ignorantes.

O que? Como? Quem? Para que?