Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva
Enviada em 06/04/2020
Entre 1333 e 1351, os continentes da Europa e Ásia foram massacrados pela doença, de origem bacteriana, conhecida como Peste Negra. Responsável por espalhar caos e desespero pelo mundo, a bactéria matou cerca de 50 milhões de pessoas, se tornando a maior epidemia da história, graças a falta de recursos e tecnologias disponíveis para o tratamento da enfermidade. Entretanto, séculos depois da Peste Negra, o mundo ainda enfrentou diversas pandemias, como a Gripe Espanhola e a AIDS, e possui potencial para encarar outras grandes problemáticas semelhantes pois, mesmo com os avanços em áreas como inovação e medicina, o planeta ainda enfrenta diversas dificuldades quanto ao controle clínico e psicológico de doenças potencialmente graves.
Em primeira análise, de acordo com o filósofo Thomas Hobbes, o homem é um ser naturalmente selvagem, e por isso, quando colocado em situações de caos e conflito, este lado é aflorado e o indivíduo tende à histeria e violência. Sendo assim, essa tese pode ser comprovada em diversas situações contemporâneas, como foi o exemplo do ocorrido na Índia, em 2020, onde o mundo se encontrava em período de quarentena e isolamento social por conta da pandemia do Corona Vírus, que atingiu, até meados de maio, 1 milhão de pessoas, segundo a revista El Pais. Nesse cenário, um sinhalês entrou em estado de surto após sete dias confinado, saiu de casa - desobedecendo às orientações médicas - e acabou cometendo um homicídio brutal contra uma idosa de 80 anos, por meio de mordidas no pescoço, segundo o Jornal Extra.
Como causa deste acontecimento e de outros semelhantes, pode-se citar o despreparo individual do cidadão para lidar com o desespero social causado por situações que ameaçam a vida e segurança no mundo. Em situações de pandemias e outras problemáticas similares, é comum se deparar com o espalhamento de notícias falsas, com o intuito de maximizar os sentimentos de medo e histeria da população, onde acabamos por negligenciar a circulação de informações verídicas e colaborar com a incompreensão e ignorância sociais, sem buscar meios que diminuam o alastramento deste tipo de dado calunioso e fontes confiáveis.
Portanto, cabe ao Ministério Público em parceria com a Organização Mundial de Saúde propiciar o apoio emocional em conjunto com o físico, por meio da construção de canais responsáveis por manter contato com as pessoas a fim de diminuir o sentimento de desespero e preocupação que toma conta do ser humano em momentos problemáticos e ameaçadores do bem estar social, para que assim seja possível uma melhora no estado psicológico social e uma maior possibilidade de controle em tais situações.