Epidemias contemporâneas e seus desafios relacionados à histeria coletiva

Enviada em 10/04/2020

O período histórico conhecido como “Revolta da Vacina”, protagonizada pela população do Rio de Janeiro, deixou muitas interrogações na sociedade sobre a validação das ações tomadas pelo médico Oswaldo Cruz. Esse contexto promoveu um movimento contra a vacinação vigente da época, gerando confrontos generalizados e histeria coletiva. Contudo, não distante da realidade desse período, nota-se que na atualidade brasileira a histeria social, em períodos de epidemia, se aproxima do contexto citado. Sob essa perspectiva, é válido analisar a maneira como a tecnologia está sendo utilizada no período de epidemias contemporâneas, bem como pontuar os desafios que esse contexto pode trazer para o meio social.

Evidentemente,é importante pontuar que o uso inadequado de informações advindas da tecnologia pode aumentar a sensação de insegurança em um contexto de epidemia. Isso pode ser explicado porque a conjuntura do século XXI está repleta de meios de comunicação capazes de divulgar informação de forma rápida.Essa velocidade facilita a transmissão e envio de notícias sem uma averiguação prévia e que,na maioria das vezes,são notícias falsas.Tal realidade pode ser um fator estimulante de sensações de pânico na população, resultando em histeria coletiva e afastando o que há de mais humano nas pessoas.Nessa perspetiva,segundo Michel Foucault, filósofo francês,a tecnologia do poder articula-se em uma linguagem que é capaz de criar mecanismos de controle.

É fundamental ressaltar, ainda, que o enfrentamento de epidemias pode gerar impactos psicológicos na sociedade e essa realidade não é recente. Isso porque a maioria das epidemias são espalhadas pelo contato entre pessoas, sendo necessário um isolamento social de forma efetiva durante determinado período. Esse contexto pode desencadear a abertura de quadros psiquiátricos e piorar os já instalados, uma vez que o isolamento restringe trocas sociais de forma direta. Tal contexto já foi abordado no livro “Um diário do ano da peste”, escrito por Daniel Defoe, em 1722, que conta os acontecimentos da peste negra e expõe o medo aliado com a fragilidade psicológica que a sociedade enfrentou na época.

Logo, para atenuar esse cenário, é preciso que o Ministério da Cidadania, responsável pela promoção de cultura e do desenvolvimento social, seja um aliado no contexto de epidemias com o objetivo de evitar o desenvolvimento de histerias coletivas entre as pessoas. Isso seria feito por meio da transmissão de conteúdos televisionados, todos os dias, sobre maneiras de aliviar o estresse psicológico entre a população,mostrando que é possível desenvolver novas habilidades em um contexto cercado de incertezas.